Portugueses querem penas mais duras para condutores
J. A. Souza
A maioria dos portugueses defende o agravamento das penalizações para quem conduz sob o efeito do álcool ou em excesso de velocidade. Esta é uma das conclusões do estudo SARTRE 3, ontem apresentado em Lisboa, que inquiriu 24 mil condutores de 23 países. O projecto Sartre (acrónimo de "Social Atitudes to Traffic Risk in Europe") é um programa de estudo e investigação sobre as atitudes e comportamentos dos condutores europeus face à segurança rodoviária.
Os resultados daquele estudo mostram que quatro em cada dez condutores portugueses gostam de guiar depressa, apesar das multas em vigor em Portugal, que variam entre 60 e 1200 euros e podem implicar a perda da carta de condução por um período entre 30 dias e dois anos.
Segundo Catarina Lorga, sub-coordenadora do Sartre em Portugal e investigadora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), 73% dos inquiridos reconhecem a existência de perigo nas estradas mas projectam o risco nos outros. No que lhes diz respeito, tendem, a considerar-se cuidadosos ao volante.
O primeiro estudo do programa SARTRE (1991) foi realizado em 15 países. Cinco anos depois, em 1996, o Sartre 2 já foi alargado a 19 países Em todos eles o objectivo foi, e continuará a ser, segundo Jean Pierre Cauzard, coordenador internacional do programa, interpretar e explicar as atitudes dos condutores face ao risco do trânsito rodoviário, e também averiguar o grau de percepção do risco, os hábitos e estilos de condução. Porque "a segurança rodoviária não é só uma questão técnica, mas também humana e social".
Jean-Pierre Cauzard defende uma regulamentação mais restritiva e uma fiscalização mais eficaz por parte da polícia nas estradas, com o objectivo de diminuir o número de vítimas. Relativamente a Portugal, só 9% dos inquiridos foram autuados por excesso de velocidade nos últimos três anos. A média europeia é exactamente o dobro. E esta talvez não seja a única razão para Portugal ser um dos países onde os números da sinistralidade são mais elevados. O estado menos bom das estradas dará um ajuda.
Quanto à evolução dos comportamentos dos condutores portugueses desde que se realizou este estudo pela primeira vez, o SARTRE 3 aponta como positiva uma maior utilização do cinto de segurança, e isto apesar de 17% dos condutores portugueses ainda considerar que uma condução prudente não implica o seu uso...
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