Recorda-se hoje a libertação do campo de concentração de Auschwitz, pela ex-União Soviética. Sessenta anos após o extermínio industrial de um povo, as palavras do escritor alemão Erich Kästner, em 1946, têm actualidade "O que aconteceu foi tão terrível que é impossível estar calado, não se podendo falar".
As comemorações principais da "shoah", um conceito usado pelos jovens cientistas para referirem o genocídio global dos judeus, realizam-se em Oswiecim (Auschwitz), perto de Cracóvia. Nessa pequena cidade, com mais de 800 anos, os habitantes tentam viver o quotidiano à sombra de tão tenebrosas recordações.
Entre os 30 chefes de Governo e de Estado, encontra-se também o presidente ale-mão, Horst Köhler, o homem que a maioria dos alemães gostaria que fosse o candidato da CDU/CSU a chanceler.
Na Alemanha, o aniversário será recordado no Bundestag. As escolas organizam conferências e, segundo disse Gerhard Schroeder, na cerimónia realizada em Berlim, "esquecer o que se passou é um crime contra a Humanidade".
"Não iremos sucumbir à tentação do recalcamento", disse o chanceler, declarando que o "confronto político com os velhos nazis e com os neonazis, é tarefa de toda a sociedade".
Na cerimónia, o presidente do Congresso Mundial dos Judeus, Israel Singer, criticou o facto de os conhecimentos sobre o holocausto não serem transportados para a geração mais jovem.
"Em vez de se gastarem milhões de dólares em museus e monumentos, deveria investir-se esse dinheiro na instrução", disse Singer.
Um estudo recente do Centro de Pesquisa Anti-semita da Universidade Técnica de Berlim parece dar-lhe razão 15 a 20% dos alemães tem uma atitude anti-semita. Os ressentimentos já se fazem sentir. No ano passado, mais de 70% dos interrogados disse que se sentia aborrecido quando os judeus ainda hoje apontam aos alemães os crimes nazis.
Mas as declarações de alguns políticos também dão ensejo a preocupação. O novo secretário-geral da CDU, Volker Kauder, comparou o projecto-lei do Governo, sobre a antidiscriminação, com as leis raciais dos nazis.
Polacos contra resolução do Parlamento Europeu
Os deputados polacos ameaçaram votar contra uma resolução que será escrutinada hoje no Parlamento Europeu sobre o Holocausto se o documento não referir que o campo de Auschwitz foi criado por "nacional-socialistas alemães". Tomasz Kaminski apresentou uma emenda à proposta de resolução que reclama uma referência à nacionalidade dos construtores do campo. Os eurodeputados alemães estão contra.