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Judiciária deteve suspeito por morte de casal de idosos

Nuno Silva e Tânia Laranjo

Ao final da manhã de ontem e depois de pouco mais de três dias de investigações, a Polícia Judiciária deteve o suspeito do homicídio do casal de idosos, perpetrado na noite do passado domingo, em Canidelo (Vila do Conde).

O indivíduo, de 41 anos, que terá também morto um idoso da freguesia vizinha de Malta e cometido mais de uma dezena de outros roubos violentos a pessoas de idade, foi detido quando estava a trabalhar num campo agrícola da zona (morava perto das vítimas) e não ofereceu qualquer resistência. Também não demorou muito a confessar os crimes.

Durante a tarde acabou mesmo por acompanhar os investigadores da PJ numa sessão de reconhecimentos aos locais dos assaltos. O homem explicou também que tinha entrado na casa por uma porta que se encontrava mal fechada. Por isso não havia sinais de estroncamento das fechaduras, nem de arrombamento das janelas na habitação onde moravam Manuel Ferreira, de 74 anos, e a esposa, Maria Nazaré Vila Verde, de 73.

Roubou então algum dinheiro. Uma pequena quantia que o septuagenário tinha no bolso, tendo depois consumado os crimes para não ser descoberto. Manuel Ferreira foi agredido na cabeça com um objecto contundente e Maria Nazaré foi asfixiada com uma almofada. O casal ainda foi degolado.

Segundo o JN apurou, o indivíduo acabou por confessar outros assaltos. Disse que foi o autor do homicídio de um idoso em Malta, tendo também revelado que tinha roubado outras casas, sempre à procura de ouro. Aliás, esta foi a única situação em que não levou as alianças das vítimas. Era essa uma das suas particularidades.

O trabalhador agrícola só será presente hoje ao Tribunal de Instrução Criminal de Vila do Conde, para ser submetido a um primeiro interrogatório judicial. Tudo indica que lhe será aplicada a prisão preventiva como medida de coacção, tanto mais que a prova científica (impressões digitais e ADN) não deixaram dúvidas aos inspectores da PJ quanto à autoria do duplo homicídio.

Cadáveres foram encontrados na noite da passada terça-feira, dois dias depois dos crimes

Perfil

Camilo

Agricultor, 41 anos

Um homem pacato e insuspeito

Natural de Lourosa, mas residente em Canidelo, Camilo estava em liberdade desde os primeiros meses do ano passado, após ter cumprido pena por roubos. Trabalhava num campo agrícola da zona e era mesmo tido como um homem pacato. Nunca ninguém havia suspeitado do seu comportamento. Também não mostrava sinais de agressividade, nem aparentava ter grandes problemas financeiros.

Talvez por isso, nunca foi suspeito, embora a PJ estivesse há meses a investigar os crimes. Até porque tudo indicava que fossem cometidos pelo mesmo indivíduo e a procura recaía sobre alguém com outro perfil um toxicodependente que quisesse dinheiro para a droga. Camilo não justificou aos inspectores os actos violentos.

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