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Gangue persegue "gays"

Teresa Cardoso

APSP interceptou e identificou, na madrugada de ontem, no centro da cidade de Viseu, sete pessoas suspeitas de perseguição a membros da comunidade homossexual local. Os indivíduos, cinco homens e duas mulheres, entre os 20 e os 30 anos, estão indiciados pela prática de crimes de injúrias, ameaças e danos em veículo.

O comandante da PSP de Viseu, Simões de Almeida, confirmou ao JN a abertura de um inquérito para apuramento dos factos. As conclusões serão remetidas ao Ministério Público do Tribunal Judicial de Viseu, entidade que poderá deduzir acusação ou arquivar o processo.

M., um dos jovens homossexuais que apresentou queixa na PSP, pela terceira vez no espaço de uma semana, contra desconhecidos que o têm injuriado e ameaçado, garante tratar-se de um "gangue organizado". "Na madrugada do dia 12, quando estava com amigos dentro do carro, na Avenida da Europa, fui abordado por mais de 20 pessoas. Cercaram o veículo, atiraram ovos e leite, e provocaram danos diversos na viatura. Cheguei a temer pela minha vida e das pessoas que me acompanhavam", relatou, ao JN.

A cena ter-se-á repetido no dia 14 de Fevereiro, na Rua de Serpa Pinto, à saída de um bar, e na madrugada de ontem, na Rua da Vitória, quando ele e dois colegas se dispunham a levantar dinheiro de uma caixa automática.

"Reconheci no grupo dos sete indivíduos que a PSP já identificou algumas pessoas que nos tentaram agredir anteriormente. Disseram que nos queriam matar, que tínhamos de morrer", acrescenta M., que assegura que, numa das ocasiões, foi ameaçado com uma arma de fogo.

M. reclama "liberdade" para as pessoas com "orientação sexual diferente" e admite poder vir a criar, em Viseu, uma delegação da Opus Gay para defender os homossexuais.

"Associados ou não em torno de qualquer organização, os homossexuais dessa região têm de estar unidos na denúncia das perseguições de que estão a ser alvo", afirma António Cerzedelo, dirigente da Opus Gay. Aquela organização já fez uma exposição ao Ministério da Administração Interna a denunciar os factos ocorridos em Viseu.

Número

8

fevereiro Dia em que slguns homossexuais afirmam ter sido interpelados e atacados, na área de descanso do IP5, junto a Pascoal, por um grupo de indivíduos. A Opus Gay denuncia ser um acto de "perseguição homofóbica".

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