Bruno Bartolini*
OPapa João Paulo II, emudecido por uma traqueotomia, apareceu ontem de surpresa à janela do hospital onde se encontra internado, para tranquilizar os fiéis quanto à sua saúde, pedindo-lhes também que continuem a rezar por si, numa mensagem lida na Praça de S. Pedro durante a oração do Angelus.
O Papa surgiu fatigado, mas o seu sinal da cruz foi amplo e seguro. João Paulo II terá tomado a decisão de se mostrar à última da hora e nenhum dos órgãos de comunicação social do Vaticano foi sequer informado do facto. O Papa mostrou-se durante cerca de dois minutos.
A poltrona especial onde o Papa foi instalado para ser levado até à janela foi trazida do Vaticano parao hospital cerca das 11.30 horas (10.30 em Portugal), apenas uma hora antes do seu aparecimento de surpresa.
Peregrinos não viram
No entanto, nem os peregrinos reunidos no Vaticano nem as pessoas que se juntaram debaixo da janela do aparatamento no hospital conseguiram ver João Paulo II. Os ecrãs instalados de cada lado da Praça de S. Pedro não retransmitiram estas imagens, que foram recolhidas pelas câmaras de televisão de estações de todo o mundo, permanentemente apontadas às janelas do 10º andar da policlínica Gemelli.
O Centro Televisivo Vaticano (CTV) não recolheu imagens do acontecimento, pois tinha sido informado de que o Papa não se mostraria. Contudo, o aparecimento de João Paulo II parecia esperado. As câmaras da RAI, a estação pública italiana, estavam em directo permanente, alternando entre a Praça de S. Pedro e o hospital, durante toda a duração do Angelus. "Conhecendo o Papa, esperávamos alguma coisa do género", disse um jornalista da estação à AFP.
Sem aviso
O Vaticano anunciara que o Papa tinha sido obrigado na véspera a desistir de participar na oração do Angelus. Aliás, o arcebispo argentino Leonardo Sandri celebrou em seu nome, ao meio dia de domingo, na Praça de S. Pedro. O prelado leu uma mensagem em que o Papa pede que "rezem por ele" e, depois da oração do Angelus, abençoou os peregrinos em nome de João Paulo II . Quase de seguida, as persianas da janela do apartamento do apartamento do hospital foram abertas e apareceu o Papa, que fez várias vezes o gesto da cruz e levou uma vez a mão à garganta, onde lhe foi inserida a cânula que lhe facilita a respiração.
"Não podíamos fazer melhor", declarou ontem sorridente Rodolfo Proeitti, o professor que olha pelo estado clínico do Papa, comentando a sua decisão de aparecer à janela. O clínico recusou, contudo, fazer qualquer comentário sobre a saúde do Papa.
Os especialistas estão convencidos de que serão necessárias semanas até que João Paulo II volte a falar.
* AFP
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