As novas tarifas dos transportes públicos de passageiros entram em vigor em Maio e, ao que o JN apurou, os aumentos vão oscilar entre os 3 e os 4%, acima da inflação prevista (2,2%), mas abaixo do pretendido pelos operadores privados (ANTROP), para quem uma subida de 5% seria "insuficiente" para compensar os prejuízos de 2004 e dos primeiros meses de 2005 com a alta dos combustíveis.
Contas feitas, os passes sociais mais usados em Lisboa e no Porto sofrem aumentos entre os 50 cêntimos e um euro. O passe para o Metro de Lisboa, por exemplo (15,40 euros) passará a custar 15,90 (para um aumento de 3%) ou 16 euros (se a subida for de 4%); seguindo o mesmo raciocínio, o Carris/Metro-Rede (25,70 euros), poderá ficar por 26,5 ou 26,7 euros. Já o passe Porto A (da STCP), que custa agora 19,10 euros, poderá custar 19,7 ou 19,9 euros; e o preço de um bilhete em classe turística no Alfa-Pendular Lisboa-Porto (que custa 23,30) poderá ficar por 24 a 24,2 euros. Os arredondamentos foram feitos à décima, por excesso.
Fernando Rosa, presidente da ANTROP, explicou ao JN que mesmo uma subida de 5% "seria insuficiente", sobretudo devido à alta do gasóleo, que aumentou 28,3% desde Janeiro de 2004 e cerca de 5% este ano.
Se as subidas forem inferiores, "não há solução senão recorrer a outro expediente", afirmou, aludindo a um aumento das indemnizações compensatórias, sobretudo em Lisboa onde, a partir de Maio, os transportadores privados deixam de estar vinculados ao sistema do passe social.
No entanto, o Orçamento do Estado de 2005 deixado pelo anterior Governo aumenta apenas em 1,4% (para 203 milhões de euros) o valor das indemnizações compensatórias a atribuir ao sector dos transportes.
A mudança de Governo atrasou a actualização de tarifas, que costuma ocorrer em Fevereiro. Em 2004, os transportes subiram um total de 6,8%, incluindo a actualização de 2,9% feita em Outubro, no âmbito do mecanismo de indexação trimestral das tarifas aos preços dos combustíveis criado por António Mexia.
Para Fernando Rosa, que deverá reunir com a secretária de Estado dos Transportes na próxima semana, este sistema "deveria manter-se", porque introduz "flexibilidade" nas tarifas. "Os aumentos do gasóleo não são pontuais", ironiza o responsável, que volta a apelar à criação do gasóleo profissional.
A ANTRAL, associação de taxistas, também pede uma actualização de tarifas. "Em 2004, só subiram 2,9%", lembra Florêncio Almeida, para quem "menos do dobro deste valor" não chega para compensar as perdas do sector.