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Casa da Música já tem concertos esgotados

Entusiasmo e alguma confusão

na abertura da bilheteira Vendas na candonga já começaram na rua

Nem a chuva nem a ausência de informação travaram as várias centenas de pessoas de todas as idades que ontem de manhã aguardaram na rua a abertura das bilheteiras da Casa da Música, no Porto. A expectativa do primeiro dia em que foi possível adquirir ingressos para os espectáculos de abertura - a inauguração está marcada para 14 de Abril - foi real. Os números traduzem o entusiasmo às 20 horas, após o fecho das bilheteiras, havia 3511 ingressos vendidos; a página da instituição na internet (www.casadamusica.com) registou 5682 visitas.

A meio da manhã, a fila desenhava curvas apertadas e longas. Ao meio-dia, os concertos de Lou Reed e da Philharmonia Orchestra, de Londres, já estavam esgotados. Igualmente concorridos, mas ainda não lotados, estão os concertos do intérprete de Viena Alfred Brendel (dia 23), da fadista portuguesa Mariza (17) e da Orquestra Nacional do Porto (15 e 24).

Mas, se o frenesim era visível, o acontecimento também não escapou a alguma confusão. "Como é que mil e tal bilhetes podem ser vendidos, sem ninguém saber, em duas horas?", indigna-se Alberto Castro sobre a velocidade a que desapareceram os ingressos para o concerto de Lou Reed. O fã do 'rocker' deslocou-se propositadamente de Espinho à Casa da Música para adquirir a entrada, mas já não foi a tempo. "Cheguei ao meio-dia. Já estava esgotado".

A indignação é ainda maior por considerar que os cartazes colocados na rua na última semana são falsos. "A publicidade indica um número de telefone e um site na internet. Mas nenhum deles funcionou até hoje [ontem] às oito da manhã. Se tivessem informado devidamente as pessoas, eu poderia ter chegado mais cedo". Não chegou, mas adquiriu bilhete na mesma. Por 60 euros - mais 25 euros do que o valor oficial -, à porta da Casa da Música, onde já começou, assegura, "a candonga".

Azar maior conheceu José Virgílio, do Porto, que não conseguiu comprar bilhete - nem a preço inflacionado. "Liguei para a Casa da Música e ninguém soube dizer-me quando é que as bilheteiras abriam. Cheguei aqui ao fim da manhã e disseram-me que já não havia bilhetes para o Lou Reed". Setenciando que "isto é um mau começo", José Virgílio criticou o facto de cada pessoa poder comprar mais de quatro bilhetes. "É de um amadorismo absurdo", condenou.

Preços entre dois e 35 euros

O presidente do Conselho de Administração da Casa da Música, Couto dos Santos, explicou em conferência de imprensa, que "não são permitidas reservas, e que cada pessoa poderá comprar ao balcão, 12 bilhetes, no máximo". Na internet, entretanto já a funcionar, o número é mais vasto. "Cada cartão permite cinco transacções de quatro unidades, o que significa 20 bilhetes".

Seguro de que o número é justo, o ainda administrador acrescentou que a lógica será "não permitir que as empresas encomendem grandes quantidades de bilhetes, impedindo o espectador comum de assistir aos espectáculos, como aconteceu no Porto 2001".

Com valores que oscilam entre os dois e os cinco euros para o programa educativo, e entre os 10 e os 35 euros para os restantes espectáculos, os bilhetes da Casa da Música inscrevem-se na tabela normal de instituições semelhantes. No Centro Cultural de Belém, os preços não ultrapassam os 27 euros; na Fundação Gulbenkian podem atingir os 40 euros; no Teatro Nacional S. Carlos variam entre os cinco e os 60 euros.

Na fase posterior à abertura, alerta Couto dos Santos, "os bilhetes poderão ser adquiridos por ciclos - piano, orquestra, festivais -, estando habilitados a descontos superiores a 30%". Idades inferiores a 25 anos ou superiores a 65 anos, dispõem, em qualquer circunstância, de um desconto de 20%.

Os bilhetes para a primeira temporada serão colocados à venda brevemente, sendo que, contabilizou Couto dos Santos, "mesmo em ano cruzeiro, essa receita nunca deverá ultrapassar os dois milhões de euros".

Horários são para cumprir

As regras de assistência são claras e intransponíveis. "Não é permitido entrar depois do espectáculo ter começado. E se algum telemóvel tocar, o proprietário terá que passar pela vergonha de ser retirado da sala por uma assistente. É assim em todas as casas do mundo. Aqui também vai ser".

Considerando o pedido de visitas à obra de Rem Koolhaas, a administração irá, "a curto prazo", promover visitas guiadas. "Temos solicitações de cerca de 250 alunos de arquitectura e também de escolas secundárias. Queremos que esses alunos entrem em contacto com os compositores, os músicos e os instrumentos - esse é o objectivo do nosso serviço educativo".

Em relação à aferição sobre a viabilidade do Estúdio de Ópera no edifício, Couto dos Santos disse não ter chegado ainda a uma conclusão.

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