Homossexuais já podem casar
O primeiro-ministro espanhol, Rodríguez Zapatero, disse que a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo - ontem aprovada no Parlamento - permite construir "um país mais decente, porque uma sociedade decente é aquela que não humilha os seus membros".
A lei foi ontem aprovada pelo Parlamento espanhol, desafiando a forte oposição da Igreja Católica e completando a reforma social do governo socialista. Com esta votação, em que 187 deputados foram a favor da lei e 147 contra, a Espanha torna-se no terceiro país europeu e quarto no mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois da Holanda, Bélgica e Canadá. A lei concede, também, aos homossexuais todos os direitos que decorrem do casamento, entre os quais o de adoptar crianças, receber pensões, administrar heranças, requerer empréstimos ou autorizar intervenções cirúrgicas.
Frontalmente contra estão a Igreja Católica e várias associações defensoras da família tradicional, que consideram esta lei um atentado contra a instituição do matrimónio e reiteraram, ontem, a intenção de pedirem ao Partido Popular, que votou contra, que apresente um recurso por inconstitucionalidade. Com o apoio do Vaticano, a hierarquia católica espanhola qualificou esta lei de "um retrocesso no caminho da civilização" e pediu aos funcionários das câmaras e registos civis que invoquem objecção de consciência para não celebrar as uniões.
Segundo a sondagem mais recente do Centro de Investigações Sociológicas, mais de metade (56,9%) dos espanhóis aprova os casamentos homossexuais, mas em relação à adopção de crianças por estes casais a percentagem dos que aprovam desce para 42,4%. A lei deverá entrar em vigor ainda este mês.
Entretanto, a associação portuguesa de defesa dos direitos dos homossexuais, Ilga, exortou o Governo português a aprovar uma lei que permita casamentos entre pessoas do mesmo sexo, congratulando-se com a decisão do congresso espanhol nesse sentido.
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