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PSP diz que não existiu arrastão em Carcavelos

Não houve arrastão. A conclusão é da PSP que, num relatório final sobre os acontecimentos do dia 10 de Junho, na praia de Carcavelos, Cascais, admite que os jovens que apareciam nas imagens estavam, na realidade, a fugir dos agentes de autoridade e não a provocar uma onda de assaltos, conforme foi divulgado na altura.

Confirma-se, assim, a tese defendida por diversos sectores, designadamente o Bloco de Esquerda e a jornalista Diana Andringa, de que houve uma distorção dos factos, com a consequente manipulação da opinião pública. O comandante da PSP de Lisboa já admitira ter sido "pressionado" a falar em cerca de 400 jovens, mas só agora é que a Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública e o Governo assumem que o arrastão não passou de uma ficção.

"Verifica-se que as primeiras informações fornecidas que davam conta de um enorme arrastão a ocorrer na praia de Carcavelos não se confirmaram", refere o relatório que a PSP entregou, no passado dia 12, ao ministro da Administração Interna (MAI) e que foi apresentando, ontem, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna. "A inexistência de denúncias de furtos ou roubos na praia não sustenta a tese do arrastão", conclui o documento que descarta também a possibilidade de se tratar de um grupo organizado. "Não estamos em crer que se tenha tratado de uma acção generalizada previamente concertada."

O "efeito visual do arrastão" - patente nas imagens divulgadas pela Comunicação Social - é explicado pela PSP com a existência de "diversos indivíduos" a "correr desenfreadamente " com receio da iminente "intervenção policial", desmentindo, dessa forma, as informações que os jovens estavam a encetar uma onda de assaltos aos banhistas.

O documento refere, contudo, que a 10 de Junho, na praia de Carcavelos, se assistiu a "inúmeras incivilidades generalizadas" e "alguns furtos e roubos", o que terá causado "um ambiente de pouca tranquilidade provocado por alguns distúrbios entre indivíduos de origem africana e outros de nacionalidade brasileira e ainda com indivíduos de Leste".

Inicialmente, a PSP de Lisboa divulgou a ocorrência de "uma onda de criminalidade", levada a cabo por "cerca de 500 indivíduos negros", recorrendo ao método "conhecido como arrastão".

* Com agência Lusa

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