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Equipas de Fórmula 1 ameaçam desrespeitar proibição à publicidade

A proibição da publicidade ao tabaco na imprensa, rádio, Internet e sob a forma de patrocínio em manifestações culturais e desportivas europeias entra domingo em vigor, como previsto. O primeiro grande teste acontece na Hungria, onde decorre este domingo mais um Grande Prémio de Fórmula 1, evento especificamente visado pelo alerta dado ontem pela Comissão Europeia, ao anunciar a entrada em vigor da directiva. O patrocínio da indústria tabaqueira a grandes prémios está vedado.

Sem resposta à clarificação pedida há semanas pelas escuderias com sede na Grã-Bretanha, algumas garantem que os seus carros ostentarão os logotipos dos patrocinadores. É o caso da Renault, patrocinada pela Mild Seven, que confirmou a manutenção da publicidade, segundo se lê no site oficial da F1. A British American Racing (BAR), propriedade da British American Tobaco e patrocinada pela Lucky Strike, uma das marcas do grupo, não esclareceu ainda intenções. Do seu lado, a Jordan do piloto português Tiago Monteiro, com sponsorização da Benson & Edge, contornou o problema há muito, inscrevendo a frase diminutiva "Be on Edge".

"Nos últimos seis meses, pedimos claramente precisões ao governo britânico e é muito frustrante esperar por uma resposta clara que não chega", declarou o responsável da BAR à BBC, dizendo necessitar de uma clarificação escrita. É que, no caso destas equipas, está em causa algo mais complicado a legislação britânica alarga a proibição decidida pela UE aos patrocínios fora da Europa.

A directiva (lei) que proíbe a publicidade ao tabaco foi adoptadas pelos Estados-membros da UE em 2003. Vem completar a directiva sobre televisão sem fronteiras que vedara a publicidade a marcas de cigarros na TV de toda a UE no início dos anos 90. A publicidade manter-se-á, contudo, possível nos cinemas, em cartazes e artigos promocionais como cinzeiros ou chapéus de sol. Sem dimensão transfronteiriça e, portanto, fora da proibição ficam também eventos locais, à excepção dos países que a estenderam a interdição a todos estes suportes.

O tabaco é apontado como responsável directo ou indirecto de 650 mil mortos anuais na Europa. "Proibir a publicidade é uma das formas mais eficazes de reduzir o tabagismo", acredita o comissário europeu da Saúde e Consumidores, Markos Kiprianou. Esta directiva, diz, "vai salvar vidas". I. C.

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