Hoje será o último dia em que "O Comércio do Porto" e a "A Capital" estarão nas bancas, anunciaram ontem as direcções dos jornais.
Na base da decisão da espanhola Prensa Ibérica estão os prejuízos acumulados pelos títulos. "A Capital" somou cinco milhões de prejuízos nos últimos três anos, tendo descido as vendas do primeiro semestre para 3422 exemplares diários. Já o "Comércio" acumulou 1,2 milhões de prejuízos, só no primeiro trimestre, com as vendas a caírem para 3794 exemplares.
Os títulos vão, agora, rescindir contratos com os cerca de 150 trabalhadores. A opção pela mera suspensão de publicação permite a subsistência das empresas, com os títulos a poderem, ainda, ser reeditados. O problema, garante, Rogério Gomes, director do Comércio, é existem investidores interessados, "mas não nos prazos impostos pela Prensa Ibérica".
Os rumores sobre o eventual encerramento dos jornais começaram a circular na semana passada, sendo dado como certo o final deste mês para uma decisão definitiva. Mal foi conhecido, o anúncio despoletou uma série de reacções. A Invicta TV acusou a Prensa Ibérica de violar o acordo a que terá chegado na quinta-feira para a compra dos títulos, desde que se mantivessem em banca. E a LP Brothers afirmou à Lusa ter ainda uma reunião marcada, na segunda-feira, para comprar "A Capital".
Contudo, o administrador dos dois jornais, Anacoreta Correia, negou à Lusa ter recebido estas intenções de compra e confirmou apenas ter recebido uma proposta, por parte do representante da Prensa Ibérica em Portugal, António Matos, que foi rejeitada por razões que não quis especificar. Em reacção ao anúncio, o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, enviou para "O Comércio do Porto" uma declaração, admitindo que é "um dos títulos mais prestigiados da Invicta", mas criticando "as opções editoriais seguidas, com uma forte partidarização e alguma tendência para o sensacionalismo no noticiário político".
Já Luís Filipe Menezes, vai apelar ao presidente da Junta Metropolitana do Porto, Valentim Loureiro, para que reúna com autarcas da região e uma "vintena" de empresários, de forma a impedir o encerramento do jornal. "Bastava que algumas autarquias colocassem alguma publicidade obrigatória no jornal" para salvar o título, disse. Também o Sindicato de Jornalistas acusou a Prensa Ibérica de abandonar os dois periódicos à "borrasca".
* com M.N. e C.S.L.
Alexandra Figueira *
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