Vendas de combustível
Ricardo David Lopes
As vendas de combustíveis estão a cair em Portugal, um fenómeno que o sector atribui - sobretudo no caso do gasóleo - ao aumento de preços verificado ao longo do último ano e meio.
Os dados oficiais disponíveis não são homogéneos, mas têm umponto em comum os portugueses estão a gastar menos combustíveis, o que contraria a teoria económica que diz que o comportamento dos consumidores não é afectado, no caso da energia, pelos preços. Segundo um documento do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia, as vendas de gasolinas tinham caído 7,5% até Abril face ao período homólogo de 2004, enquanto o gasóleo registava uma queda de 1,6%.
Já a Direcção Geral de Geologia e Energia aponta, nas "Estastísticas Rápidas do Petróleo", para uma queda de 1% nas vendas de combustíveis rodoviários face ao mesmo período .
No entanto, em relação ao fuel, o documento dá conta de fortes aumentos (entre os meses de Abril de 2004 e de 2005) no consumo por parte dos produtores de electricidade (38,6%) devido à seca e à menor utilização das barragens, e da indústria (10,4%) em geral, que assim confirma a necessidade de mudar os combustíveis usados no processo produtivo.
As contas da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO) referentes a Julho - baseadas na média-móvel, mas contabilizando litros e não toneladas vendidas - apontam para uma queda de 5% na gasolina nos últimos 12 meses (ao longo de 2004 tinham baixado 4% e, em 2003, 2%) e para uma desacelaração no crescimento do gasóleo. Segundo a APETRO, as vendas deste combustível cresceram apenas 2% no último ano, quando em 2004 tinham aumentado 4%.
Para José Horta, secretário-geral da APETRO, a quebra na gasolina pode dever-se "em parte" à subida de preços, mas a causa principal está na chamada "dieselização", que se traduz no aumento de procura de carros a gasóleo, cujo preço ameaça agora deixar de ser competitivo face à gasolina, já que estes veículos são mais caros. Já a queda no gasóleo deve-se "sobretudo ao aumento de preços", que leva as famílias a "restringirem o consumo de combustível e a andarem menos de carro", usando mais transportes públicos.
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