Chuvas intensas têm atingido, nos últimos dias, áreas significativas de três continentes, provocando centenas de vítimas mortais, milhares de desalojados e prejuízos elevados, tanto em zonas urbanas como rurais. Na capital suíça, Berna, já foram confirmadas seis mortes e centenas de pessoas tiveram de ser evacuadas. A Áustria, Bulgária, República Checa e Croácia juntaram-se também nesta situação diluviana à Roménia, que, desde o começo do Verão, contabiliza já 42 mortos.Enquanto isto, no sul da Europa seca e incêndios semeiam a destruição.
Nos vários países europeus atingidos pelas inundações, grande parte dos problemas deveu-se ao aumento do caudal dos rios e do volume dos lagos. Na Suíça, as cheias desalojaram 2500 pessoas, parte delas vivendo nas ruas baixas da capital, Berna. Algumas regiões do país registaram níveis de pluviosidade nunca antes atingidos
Na Alemanha - onde a precipitação chegou a atingir, no sul, os 150 litros por metro quadrado - as autoridades lançaram um alerta de cheias, depois de muitas caves terem ficado completamente inundadas na estância de esqui de Garmish-Partenkirchen, que ficou sem ligação a Munique.
Na vizinha Aústria, a auto-estrada A12 teve mesmo que ser encerrada, dada a ameaça de ruína da ponte de ferro que liga à Baviera alemã. Na região do Tirol, as intempéries geraram cortes de linhas telefónicas e ferroviárias, sendo duas as vítimas mortais austríacas a lamentar. Com 17 mil bombeiros no terreno, o Governo desbloqueou um fundo de calamidade de 30 milhões de euros.
Mais para Leste, havia ainda a registar inundações na Boémia do Sul, na República Checa, país sem registo de vítimas, tal como a Hungria, onde se espera que o Danúbio só comece a subir dentro de três dias. A repetição do cenário do Verão de 2002 parece, contudo, posto de parte por enquanto. Recorde-se que as cheias do Danúbio, do Elba e seus afluentes causaram então uma centena de mortos. Na Bulgária, seis comunida- des declararam o estado de emergência e pelo menos uma pessoa morreu.
Fora da Europa, as intempéries têm-se estendido a África e à Ásia. As fortes chuvas na Argélia, Etiópia, Uganda, Nigéria, República Centro Aricana, Serra Leoa, Camarões e Senegal roubaram o abrigo a dezenas de milhares de pessoas e mataram mais de cem, mormente em naufrágios. Há casos de aldeias completamente submersas nos Camarões e derrocadas na Guiné-Bissau e na Guiné-Conakry.
Na Ásia, a China registou 48 mortos nos últimos dias e a Índia continua a sofrer as consequências da Monções, que mataram mais de 400 pessoas este Verão a derrocada de um prédio danificado fez ontem 30 mortos em Bombaim.