Ovice-presidente da Câmara do Porto, Paulo Morais, vai ser ouvido já para a semana, no âmbito do processo de averiguações preliminares acerca das denúncias que efectuou, anteontem, sobre eventuais pressões de partidos, governos e construtores civis, com vista ao licenciamento de obras. As denúncias do vereador continuam a esbarrar, porém, no silêncio do PSD (ver caixa). A Oposição exige explicações de Rui Rio.
Paulo Morais deverá deslocar-se, na terça-feira, ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) para prestar declarações no âmbito de um inquérito aberto a propósito da polémica denúncia de que os negócios imobiliários "financiam partidos, campanhas e dirigentes".
No dia seguinte, o vereador será ouvido, na Câmara Municipal do Porto, por um inspector da Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT), no âmbito de um processo preliminar de averiguações, solicitado, anteontem, pelo secretário de Estado-adjunto e da Administração Local, Eduardo Cabrita.
O governante pediu que a IGAT abrisse com o máximo de urgência o processo de averiguações. Isto porque Eduardo Cabrita deseja que a fase preliminar esteja concluída antes do próximo dia 9. Recorde-se que o secretário de Estado determinou à IGAT que suspenda todas as inspecções e inquéritos às autarquias, desde esse dia e até às eleições, para impedir o uso de eventuais averiguações como arma eleitoral.
Pedidas explicações ao PS
As denúncias de Paulo Morais continuam a criar polémica, no Porto. O BE exige que o vereador seja constituído arguido. "É tão grave o silêncio como o acto de tentar corromper", justifica João Teixeira Lopes, exortando o presidente da Câmara do Porto a dar explicações.
O dirigente do BE lança igualmente um desafio ao candidato socialista "Gostava de saber se Francisco Assis vai pedir a José Sócrates para se pronunciar, uma vez que o actual Governo também é visado".
O líder distrital do PS prefere, no entanto, continuar a atacar Rui Rio, pelo silêncio que tem mantido face às denúncias do seu "vice". Algo que Francisco Assis considera que "começa a ser insuportável".
"Este silêncio começa a ser insuportável e tem de ser quebrado. A política é um regime de palavras e transparência, não de silêncio, e Rio tem o dever de explicar o que aconteceu à cidade", avisou.
* com Helena Teixeira da Silva
Rio não cede e mantém o silêncio
O presidente da Câmara do Porto insiste em não ceder às pressões da Oposição e mantém o silêncio em torno das denúncias do seu "vice", Paulo Morais. Ontem, Rui Rio esteve fora da cidade e deverá manter-se ausente durante o fim-de-semana. Contudo, o autarca já participa, na terça-feira, na Universidade de Verão, promovida pelo PSD, em Castelo de Vide. Aliás, a forma como tem gerido o seu silêncio poderá justificar o facto de, anteontem, ter cancelado a habitual visita à Feira de Artesanato, na Foz do Douro, escapando assim às pressões jornalísticas para se pronunciar "a quente". Também Paulo Morais se remeteu ao silêncio. O autarca tem estado incontactável, apesar de ter passado os últimos dois dias a trabalhar na Câmara do Porto. Para já, apenas o vice-presidente da Distrital se pronunciou sobre um caso que também não merece qualquer comentário da Direcção Nacional do PSD.