Sete jovens regressaram ontem a Portugal, depois de uma aventura de 15 dias, durante a qual se propuseram subir a um cume do Quilimanjaro, a 5.895 metros de altitude, no Quénia. Quatro deles conseguiram alcançar o objectivo. Os outros três foram desistindo, já bastante perto do cume, mas sempre por azares de viajante e não pela sua condição de diabéticos. E era isso que pretendiam provar.
A escalada durou cinco dias, nem sempre fáceis. Um dos participantes desta iniciativa da Associação Portuguesa de Jovens Diabéticos deslocou uma rótula, outro teve problemas de sinusite quando a altitude já se media nos 5.600 metros, outro sentiu o chamado mal de montanha faltavam só 600 metros para o cume. Nada que não pudesse acontecer a quaisquer outros aventureiros. Por isso, quando desembarcou no aeroporto da Portela, Paulo Madureira, presidente da associação, afirmou com solenidade convicta "Chegámos com o sorriso da liberdade. O diabético é livre". Tem 20 anos e um trabalho entusiástico na formação e expansão da AJPD, agora com 300 associados, mas que podia ter 20 mil, tal é o número calculado para Portugal.
A aventura começou a ser preparada, com muito exercício, há um ano. E tinha pela frente o desafio da subida do Quilimanjaro. Mais um desafio a muitos médicos que aconselham os jovens diabéticos a não se submeter a esforços como os que envolvem uma escalada, por poderem produzir cetona.
O contentamento dos sete jovens aventureiros fez-se também da constatação de que, face aos seus acompanhantes, também submetidos a análises, eles não produziam mais cetona em altitude e esforço. A médica que os assistiu na viagem, e que espera publicar um estudo científico sobre a matéria, garante que "só há produção de cetona se a diabetes for mal controlada".
Sílvia Saraiva afirma que, ao entusiasmar os jovens para esta aventura, tentou "desmistificar a diabetes como doença incapacitante". Dos dias de caminhada em ascensão, regista apenas que pararam muitas vezes para fazer o controlo do açúcar e que, às vezes, por causa do frio, era penoso para os jovens fazerem a picada no dedo para retirar a amostra.
Ontem, no aeroporto, o grupo era esperado por outros associados da AJDP, desejosos de ouvir confirmada a moral da história, resumida por Paulo Madureira "O jovem diabético pode fazer tudo, desde que aprenda a gerir a sua doença".
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