João Teixeira Lopes acredita que só com o Bloco de Esquerda na Câmara do Porto será possível combater os interesses instalados na autarquia, que partem sobretudo do bloco central. O candidato bloquista promete rupturas, mas também propostas alternativas. Uma dessas propostas é a demolição de alguns bairros sociais.
[JORNAL DE NOTÍCIAS] Sente-se mais como candidato a vereador ou a presidente da Câmara?
[JOÃO TEIXEIRA LOPES] Sou candidato a vereador, tal como Rui Sá. Por que hei-de ser hipócrita? Sei que não vou ter votos para ser presidente da Câmara. Mas posso ter votos para ser vereador. E enquanto vereador poderei fazer uma diferença fundamental na gestão da Câmara.
Que diferença?
O BE está completamente afastado do bloco central de interesses, que atinge também a Câmara do Porto. Sempre denunciou todos os tipos de corrupção e de negociatas. Mas também tem uma cultura de responsabilidade. No Parlamento, acompanhamos as críticas com propostas. Assim seremos na Câmara do Porto uma voz incómoda e crítica, sem quaisquer temores sobre interesses obscuros ou problemas em enfrentar o bloco central de interesses e capaz de apresentar alternativas.
A que interesses se refere?
A Câmara do Porto está sujeita a interesses já conhecidos, como os imobiliários. Mas a autarquia tem por obrigação centrar energias na reabilitação de casas degradadas. Propomos o aumento do imposto imobiliário para casas devolutas e o pagamento de um imposto especial para casas em ruína. Os planos directores municipais existentes no país permitem construções para 60 milhões de pessoas. É incrível que ainda não se tenha alterado a Lei das Finanças Locais.
Sugere uma bolsa de arrendamento. Como funcionaria?
Teria todas as casas devolutas ou degradadas e também as casas que estão no mercado, há mais de um ano, para alugar ou vender. Podia-se encontrar preços de mercado mas socialmente justos, permitindo dinamizar o sector de arrendamento. O problema do Porto é de reabilitação e não de construção de novas casas. Defendo que os novos empreendimentos consignem uma percentagem para cooperativas, habitações sociais, equipamentos colectivos e espaços públicos. Assim, resolvia-se o problema da desertificação da Baixa.
Outro problema são os bairros sociais e é nesse domínio que a Câmara tem sido mais criticada. Que soluções propõe?
As pessoas dos bairros sociais perderam toda a confiança na autarquia, porque teve medidas atentatórias dos próprios direitos humanos, como os despejos ilegais ao abrigo do Decreto 45.
É fundamental que se crie um clima de confiança. E isso faz-se com proximidade, com equipas interdisciplinares, a trabalhar nos bairros. Depois, é preciso reabilitar o espaço público.
Como?
Os bairros sociais devem ter um espaço verde multiusos, com equipamentos desportivos e sociais. Devem estar inseridos na malha urbana, através de novas edificações com pouca altura que não ultrapassem os 100 fogos. Mas, é óbvio que não se pode demolir bairros de costas voltadas para as pessoas, como se tem verificado com os processos de consulta pública no pelouro do Urbanismo.
Por exemplo?
O que se passa na Avenida dos Aliados é gravíssimo. O processo foi mal conduzido, foi feito como um facto consumado, sem envolvimento da população.
O problema do túnel de Ceuta é uma teimosia?
Rui Rio encontrou uma forma de aparecer como o grande lutador contra Lisboa, mas esqueceu-se de o fazer quando os governos de Durão Barroso e Santana Lopes foram ao Porto, com pompa e circunstância, prometer planos de combate ao desemprego, que nunca cumpriram.
Prevê solução para o túnel?
Acabará por sair no Carregal como estava previsto no projecto que Rui Rio apresentou há três anos e no Plano de Mobilidade. Não atrapalha as urgências do Hospital de Santo António. As soluções previstas para a Rua D. Manuel II não seriam benéficas em termos de trânsito e prejudicam o património.
E solução para a linha do Metro na Boavista?
Sou contra essa linha porque não é prioritária. É mais um exemplo do bloco central de interesses. Interessava apenas Narciso Miranda e a Rui Rio.