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Autoeuropa é a mais competitiva

volkswagen Decisão sobre que fábrica irá produzir o novo modelo condicionada por envolvimento político

Caso a decisão sobre qual a fábrica que vai produzir o novo modelo utilitário desportivo da Volkswagen (VW) se baseie unicamente em critérios económicos, a Autoeuropa será a escolhida. No ano passado, as diversas fábricas da marca alemã foram chamadas a apresentar projectos para a montagem do novo SUV, e a de Palmela conseguiu garantir a proposta mais competitiva do grupo.

A decisão será anunciada pela VW alemã até dia 26 de Setembro. O comité estratégico da marca já se manifestou a favor da Autoeuropa, por ter um custo unitário de produção mil euros mais baixo que a fábrica de Volfsburgo, a unidade alemã que compete com Palmela, e cuja administração tem estado em negociações com os sindicatos, no sentido de reduzir custos com o pessoal.

Envolvimento político

No entanto, aquele parecer não tem carácter vinculativo e as questões políticas poderão falar mais alto do que os custos de produção. Por um lado, Volfsburgo é a sede da marca alemã - a unidade produtiva ali instalada é a maior e mais antiga do grupo - e as referências a Palmela podem ser interpretadas como uma forma de pressão sobre os trabalhadores alemães. Por outro, o Governo Regional da Baixa Saxónia, onde está localizada a fábrica de Volfsburgo, já anunciou estar disposto a subsidiar a produção do novo automóvel.

Em Portugal, fonte do Ministério da Economia garantiu apenas que o Governo "está a acompanhar a questão", recusando-se a responder, ao JN, se estão a ser feitos contactos com a VW ou a Autoeuropa, ou se há disponibilidade do Executivo para atribuir incentivos financeiros à produção em território português.

Durante o Governo de Durão Barroso, o Estado atribuiu ajudas à Autoeuropa no valor de 71 milhões de euros, no âmbito do investimento de 600 milhões necessário para a produção do VW Eos, que começa no final deste ano. Se o novo SUV vier para Portugal, é um dado adquirido que serão necessários novos investimentos na fábrica de Palmela, ficando por saber se o Governo terá alguma palavra a dizer neste campo.

Negociações

A administração da Autoeuropa tem acompanhado o processo com expectativa, tanto mais que se aproximam negociações com a Comissão de Trabalhadores, no sentido de se chegar a um acordo social para os próximos dois anos. Fonte oficial da empresa sublinhou, ao JN, que "tem de haver a consciência de que temos de ser mais competitivos e flexíveis, se queremos ter futuro".

A mesma fonte realçou, no entanto, que "há a preocupação de assegurar os postos de trabalho". Embora a eventual produção do novo modelo seja uma boa forma de afastar um cenário de despedimentos, a empresa garante que não há, actualmente, contactos com a casa-mãe, no sentido de exercer pressão para a vinda do novo modelo. "O valor competitivo da proposta portuguesa já foi reconhecido, por isso resta aguardar a decisão", explicou.

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