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Teste de ADN deslindou quem é o dono de caniche

Paula Gonçalves

Chegou ao fim a "novela" do cão que era disputado por dois donos, com a conclusão de testes de ADN, realizados no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP). O caso pôs em suspense a povoação de Palheira, em Coimbra. Como o JN noticiou em Abril, tudo começou quando dois cães da mesma raça desapareceram, no mesmo dia, da casa dos donos e apenas um foi encontrado. Mas reclamado por ambos.

O caso levou, na altura, à intervenção da GNR de Coimbra que tentou resolver o problema, fazendo um teste simples colocou uma família de um lado, a outra do outro e o cão no meio. Cada uma chamaria o cão pelo nome (Tarik ou Scooby) e o animal deveria correr para o verdadeiro dono. A GNR tirou as suas conclusões, referindo, na altura, ao JN, que o animal, "quando era chamado por uma senhora, ia logo ter com ela, não ligando muito à outra família". Contudo, quase duas horas depois, o teste não foi conclusivo para uma das partes, que insistia na posse do animal. Decidiram, então, ir à clínica veterinária "VetCondeixa" onde foram aconselhados a fazer exames de ADN.

Depois de terem tido conhecimento, através do JN, do problema que dividia as duas famílias, responsáveis do IPATIMUP ofereceram-se para realizar esse trabalho graciosamente, até porque se trata da única instituição nacional com capacidade para o fazer. E assim foi.

A dona de Tarik, Alcinda Alves, desde o início que dizia ter "a certeza" de que o cão era seu, mas, para "evitar confusões futuras", fez questão dos testes genéticos. Para isso, foi atrás de familiares dos bichos. Não encontrou de Tarik, mas descobriu um irmão de Scooby, em Coimbra. O resultado dos testes foi "conclusivo", como afirmou, ao JN, António Amorim, do IPATIMUP. Os dois cães nunca poderiam ser filhos da mesma mãe, dando razão a Alcinda.

Ao contrário da dona de Tarik, já na altura, o dono de Scooby tinha afirmado, ao JN, não ter "certeza absoluta" de que o animal. Por isso, concordou que ficasse à guarda da vizinha até a questão se resolver. "Mais tarde, telefonou-me a dizer que não valia a pena fazer os testes, para eu ficar com o cão e pagar as despesas de veterinário", o que Alcinda diz não ter feito, já que só foi necessário um veterinário "porque prenderam um cão que não era deles. Se não o tivessem feito, o animal não tinha sofrido um acidente ao tentar fugir".

Para a dona de Tarik, este foi um processo "extremamente desgastante". "Isto indignou-me muito, porque conheço o meu cão, ele é a minha companhia".

Como é e o que é preciso para teste de ADN

Colheita

Podem realizar-se colheitas de sangue (em tubo ou papel apropriados) ou esfregaço bucal.

Técnicas utilizadas

Como marcadores genéticos, usam-se STR (polimorfismos do número de repetições em tandem de DNA). Os polimorfismos de DNA são determinados usando sistemas manuais ou determinação de tamanho de fragmentos em sequenciador automático. Em situações especiais, podem usar-se marcadores genéticos adicionais (analisados por determinação do tamanho de fragmentos e/ou sequenciação) para definir linhagens femininas (DNA mitocondrial) ou masculinas (cromossoma Y).

Eficiência

Em termos clássicos, a eficiência tem sido medida apenas pela eficiência de exclusão, ou seja, a probabilidade de, tomando um par mãe-filho ao acaso e indicando, também ao acaso, um indivíduo como presumível pai, se verificar a ocorrência de, pelo menos, uma situação ("exclusão") que só pode ser compatibilizada com a paternidade invocando um fenómeno relativamente raro.

Informatividade das análises

A partir dos resultados obtidos é formulada uma conclusão, comunicada em termos de probabilidade de paternidade. A eficiência mede-se pela sua capacidade de discriminação entre as hipóteses de paternidade e de não paternidade.

Custos

1468.50

euros Custo de cada exame para o triénio 2004 a 2006 (de um trio - pretenso pai, mãe e filho - ou de um duo - pretenso pai e filho).

489.50 euros Acresce aos 1468.50 euros para cada indivíduo adicional (que não a mãe, isto é, mais do que um filho ou mais do que um pretenso pai), aquele custo é acrescido de 489.50€.

10% dedução No caso de o médico requisitante se encarregar de realizar e enviar as colheitas segundo as instruções do IPATIMUP.

199.52 euros De comparticipação por credencial, em resultado do acordo que o IPATIMUP tem com a ARS.

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