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Gasolina 60% mais cara

Correspondente em Nova Iorque

Os americanos come-çam a sentir na carteira a alta do preço da gasolina, que, em Nova Iorque, aumentou mais de 60% desde a devastação do furacão Katrina no Estado da Luisiana e no Golfo do México.

O sentimento entre os condutores americanos é de resignação no momento de meter gasolina e pagar a conta, mas de ressentimento contra o Governo, nomeadamente contra o presidente George Bush.

O preço dos combústiveis começa a pesar de forma muito real no orçamento mensal dos americanos, que, desde o furacão, têm deixado com mais frequência o carro na garagem e consumido menos gasolina.

"Estou a conduzir talvez 25% menos do que habitualmente", disse Lyn May, enquanto esperava para meter gasolina na estação da Rua 51ª Oeste, perpendicular com a 11ª Avenida, em Manhattan. Ela viaja entre o estado vizinho de Conneticut, onde reside, e a cidade de Nova Iorque. Nessa bomba, o preço da gasolina atingiu os 3,64 dólares (quase 3 euros) por galão (o equivalente a 3,79 litros) nos dias a seguir às cheias em Nova Orleães.

"Se você precisa de encher o tanque, agora põe só 10 dólares. Antes, as pessoas tinham tanques que custavam 40 dólares a encher, agora elas têm tanques que custam 100 dólares", disse Nihl Said, empregado na estação de combústiveis. "As pessoas já nem se queixam, elas choram ao ver os preços", referiu Said.

Num país onde os consumidores estão habituados ao combústivel barato todo este conjunto de circunstâncias era inimaginável há uns meses. A barreira dos três dólares por galão parecia uma miragem distante e a maior parte dos orgãos de comunicação social concentrava-se mais na oferta e procura de crude, nos fornecimentos e nos inventários, do que no volume de gasolina refinada. Esta é uma distinção importante porque, de acordo com várias análises recentes, o problema não está no fornecimento de petróleo em bruto, mas na capacidade para refinar o crude existente em stock.

O influente semanário liberal nova iorquino "The Village Voice" publicou recentemente um artigo que acusa as refinarias de aumentarem os stocks de crude, mas de não aumentarem a produção de gasolina. O texto levanta a suspeita de as companhias petrolíferas não quererem aumentar a quantidade de gasolina refinada de forma intencional, com o objectivo de manter artificialmente elevado o preço do barril de petróleo.

Com o consumo de gasolina a baixar nos EUA, alguns dos fundamentos que justificavam a alta do preço do petróleo começam a desvanecer-se. Mas nem por isso os preços ao consumidor baixaram de forma significativa.

Gasolineiras sob suspeita de aproveitamento da situação

Factores como a guerra no Iraque bem como a forte procura da China e da Índia, aliados à paragem temporária das refinarias na Luisiana e à consequente perda de capacidade dos EUA em refinar petróleo bruto, fizeram disparar o preço do galão de gasolina em mais de um dólar, de acordo com a Energy Information Administration (Administração de Informação de Energia), uma agência estatística do Departamento de Energia dos EUA. O cálculo baseia-se numa média semanal do custo da gasolina por todos os EUA. Na realidade, os preços do combustível nas bombas de gasolina em Nova Iorque, cujo custo é mais elevado do que no vizinho Estado de New Jersey, chegaram aos 3,64 dólares (2,98 euros), para estabilizarem nos 3,39 dólares (2,77 euros). "Penso que os preços não estão a ser fiscalizados de forma conveniente. Acho que as bombas de gasolina estão a aproveitar-se da situação", disse ao JN Lyn May, condutora do Estado de Conneticut.

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