Cerca de duzentas pessoas, maioritariamente do sexo masculino, desfilaram ontem, do Parque Eduardo VII até ao Marquês de Pombal contra o "lóbi gay", a adopção de crianças por casais homossexuais e a pedofilia. A manifestação, organizada pelo Partido Nacional Renovador (extrema-direita), acabou ao som do hino nacional e da saudação nazi.
Apesar de os dirigentes insistirem na ideia de que a manifestação não era contra os gays, mas contra a sua crescente "influência na política e na comunicação social", ouviram-se, por diversas vezes, gritos, isolados, de "morte aos paneleiros". Na faixa de pano que encabeçava a manifestação, podia ler-se que os "gays não são homens nem são nada". Outros cartazes, como aquele junto a um carrinho de bebé, que dizia "Se o meu pai fosse gay, eu não estava aqui", ou "Pela família tradicional, pelo bem de Portugal", eram ostentados pelos manifestantes, quase todos homens e jovens.
"Maricas"
Vestidos de negro, alguns dos jovens traziam camisolas onde se podia ler "morte aos traidores", mas não quiseram explicar a quem se referiam. Apesar de os dirigentes terem esclarecido que não são "burros" e que sabem muito bem que homossexualidade não é igual a pedofilia, como insinuou o Bloco de Esquerda, numa das faixas, os manifestantes sustentavam que 80% dos homossexuais são pedófilos.
José Pinto Coelho, presidente do PNR, fez um discurso ainda no Parque Eduardo VII, antes do desfile, onde lembrou que também é candidato à Câmara Municipal de Lisboa e que, com ele à frente da autarquia, não haverá "nem mais um tostão para os maricas".
O PNR argumenta que a esmagadora maioria dos portugueses está de acordo com estas teses, mas "têm medo" de se juntar a uma manifestação organizada por um partido que "os homossexuais e a comunicação social mentirosa" associa à extrema direita. "Perguntem a qualquer português se gostaria de ver o filho chegar a casa com o namoradinho", exortou.
Os manifestantes escolheram o Parque Eduardo VII para esta manifestação, que também visou a pedofilia. O secretário geral do Partido, Humberto Oliveira, pediu mesmo a pena máxima (25 anos) para este tipo de crimes. Junto à estátua de Botero ("Maternidade"), colocaram um ramo de flores brancas em nome de todas as crianças vítimas de abusos sexuais.
Durante o desfile, gritaram "homossexual, imoral; nunca, nunca em Portugal" e "pedofilia, não; pedófilos para a prisão". No Marquês, Humberto Oliveira, secretário geral do PNR, disse que recebeu telefonemas de pessoas do CDS e da Nova Democracia, manifestando o seu acordo com o protesto, mas dizendo que não poderiam associar-se, dada a conotação com a extrema-esquerda.
Esta manifestação surge no mesmo dia em que outras, do género, ocorreram noutros países europeus. Em Bruxelas, por exemplo, os manifestantes reuniram-se sob o lema "Papá, mamã e eu" para protestar contra a adopção de crianças por casais homossexuais.
Homossexuais e pedófilos na mira dos manifestantes
Um terço dos italianos favorável ao casamento gay
Trinta e um por cento dos italianos consideram que os casais homossexuais devem ter os mesmos direitos que têm os casais heterossexuais, incluindo o casamento civil. Estes dados foram obtidos através de uma sondagem realizada pelo jornal " La Repubblica", ontem divulgada pela France Press. No mesmo inquérito, 63,8% dos italianos manifestaram-se favoráveis a que os casais heterossexuais em união de facto tenham exactamente os mesmos direitos que os casados de direito, enquanto 30,4% se opuseram a essa medida. Por outro lado, 29% estão terminantemente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e 5,8% não se pronunciaram sobre nenhuma das matérias. No ano passado, 160 deputados italianos assinaram o projecto de lei de um colega de um partido de esquerda que apontava nestes sentidos. A sondagem foi feita por telefone e abrangeu 1542 pessoas.