Um livro em armazém é um livro que não existe. Partindo deste pressuposto, um grupo de editores lançou-se numa iniciativa ambiciosa a que chamou "Volta a Portugal dos Livros", uma espécie de loja itinerante que percorrerá o país disponibilizando obras que, normalmente, não se encontram nas livrarias a preços acessíveis.
Serão milhares os livros disponíveis, repartidos por centenas de títulos, que serão vendidos a preços que oscilam, na sua maioria, entre um e dez euros. "Nesta exposição/venda itinerante há uma grande percentagem de livros que não fazem parte dos fundos das livrarias e que aqui ganham a oportunidade de uma segunda vida. As vendas não vão colidir com os interesses do mercado livreiro nacional. Na prática, o que pretendemos é colocar livros mais baratos ao alcance de todos os leitores".
Segundo Assírio Bacelar, um dos fundadores da histórica editora Assírio e Alvim, "há, obviamente, uma componente comercial nesta iniciativa". Contudo o responsável considera que "é preciso encontrar soluções inovadoras que ultrapassem a atrofia que atinge o o mercado actualmente".
Por outro lado, "houve também uma profunda preocupação em levar os livros para fora dos grandes centros urbanos, para locais onde nem sequer existe uma livraria", adiantou.
"A primeira de dezenas de etapas que se prolongarão por vários anos", esclarece o editor José Antunes Ribeiro, começa hoje em Lisboa, na Avenida da Liberdade, 144. No final do mês os livros viajam até ao interior, assentando arraiais em Alvaiázere, entre o dia 30 e o dia 2 de Outubro, por ocasião do Festival do Chícharo. Juntando o prazer da gastronomia à leitura, a loja itinerante promete alimentar a curiosidade de muita gente, apostando no incentivo à leitura e não descorando uma adequada animação cultural.
O projecto partiu de um grupo de trabalho composto por editores da Nova Vega, da Sistema J e da Ulmeiro, mas rapidamente ganhou a adesão de outros editores e livreiros. Para a organização da "Volta a Portugal dos Livros", que estão a negociar o projecto com várias autarquias locais do país - a terceira etapa decorrerá, muito provavelmente, em Tomar -, a iniciativa foi também pensada como forma de contribuir para o aumento dos índices de leitura e para o combate à iliteracia.
Entre os milhares de livros disponíveis nesta volta, contam-se inúmeros exemplares de literatura infanto-juvenil, livros de ficção portuguesa e universal, dicionários, publicações na área da História, da Sociologia, das Ciências Políticas e muitos outros.
O sonho da organização do evento é de o conseguir alargar até aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. "Há um leitor para cada livro, sendo que o único problema é sabermos onde esse leitor se encontra", disse Antunes Ribeiro.