"Não podemos excluir todo o risco de intoxicação alimentar se se ingerir ovos crus, mas esse risco não é mais elevado hoje do que há seis meses ou um ano" e "não está ligado" à gripe das aves. O porta-voz do comissário europeu da Saúde, Philip Todd, resolvia ontem com este "nim" a confusão que noticias e contra-comunicados lançaram ontem na opinião pública da Europa. Afinal, "não há, actualmente, nenhuma prova que sugira que a gripe das aves possa ser transmitida aos seres humanos através do consumo de alimentos, e em particular de galinha e ovos".
Quem o afirmava ontem, por escrito, era a própria Agência Europeia de Segurança Alimentar. A mesma cujo director científico aparecia citado na Imprensa, afirmando que a União Europeia iria aconselhar a que se deixasse de consumir frango e ovos. Foi a confusão generalizada, a que não faltaram críticas directas vindas do Governo de Itália, país onde a EFSA está sediada.
O ministro da Saúde italiano exigiu mesmo ao director da EFSA "uma mensagem pública de desculpa pelo alerta injustificado gerado entre os consumidores, os danos infligidos aos produtores e o ataque á credibilidade das instituições de controlo". Um mal que a Comissão Europeia tentou minimizar, afirmando que nada provava riscos, mas também nada confirmava que o risco não existe. Certo é que vários países europeus dão já conta de quebras de 20% a 50% no consumo de produtos avícolas.
Mas quais são, afinal, as recomendações da EFSA? As que sempre recomendou o senso comum "A carne de galinha e os ovos, sobretudo quando bem cozinhados, não colocam qualquer problema de saúde humana", diz Philip Todd. Ou seja, mesmo que a probabilidade de o H5N1 se transmitir às humanos pelo consumo de produtos avícolas, "cozer a carne e os ovos de forma suficiente pode matar o vírus e eliminar qualquer risco potencial", completa o comunicado oficial da EFSA. Questão de "higiene", simplesmente, a que se deve juntar a outra regra básica de usar um utensílios para cada alimento aquando da preparação e de lavar as mãos depois de manusear carne e ovos crus. E, para que não restassem dúvidas, Philip Todd fez questão de sublinhar que, de qualquer modo, "só são propostos aos consumidores europeus produtos seguros para o consumo". Porque as medidas de prevenção obrigam à aplicação de embargo às importações de toda a região que veja surgir um foco de gripe das aves.
Vírus em várias aves mortas em quarentena em Londres
Os primeiros testes a amostras de 32 aves mortas em quarentena no Reino Unido, antes de 15 de Outubro, revelaram a presença do vírus H5 da gripe aviária nalguns deles, mas apenas dois morreram com o subtipo altamente patogénico H5N1. Novos testes deverão permitir estabelecer se se trata de uma estirpe semelhante á que já matou milhões de aves e mais de 60 pessoas na Ásia.
Confirmou-se assim que a gripe das aves estava na Grã-Bretanha antes da morte com H5N1 de dois papagaios importados do Suriname e colocados em quarentena com aves de Taiwan. A hipótese de estas terem trazido o vírus continua a não ser confirmada daquela ilha asiática veio ontem a garantia de que não foi detectado o vírus em nenhuma ave da exploração de onde saíram os animais para a Grã-Bretanha.
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