A partir de Dezembro próximo, a PSP vai passar a contar com brigadas especializadas no combate aos crimes ambientais urbanos, a funcionarem em moldes muito semelhantes ao Serviço de Protecção da Natureza (Sepna) da GNR, revelou, ao JN, o subintendente Bastos Leitão, da Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública.
Entre muitas outras missões, as brigadas irão combater a poluição sonora e a anarquia nos resíduos domésticos e industriais, além da defesa dos animais, sobretudo de espécies protegidas por Lei, muitas vezes em cativeiro em domicílios particulares ou estabelecimentos comerciais ou ainda comercializadas em feiras e mercados.
Em declarações ao JN, Bastos Leitão justificou a criação deste serviço devido "à consciência que a sociedade civil tem tomado pelas questões ambientais, cada vez mais sensíveis e exigentes e pelas solicitações e reclamações das comunidades junto da PSP".
Norma Franco, engenheira do Ambiente, que participou recentemente num estudo sobre poluição sonora nas grandes cidades, considerou, ao JN, "bastante positiva a iniciativa da PSP em criar brigadas do Ambiente", uma área que, salientou, "está a despertar cada vez mais o interesse dos portugueses e no caso concreto vem preencher uma lacuna a nível urbano".
As futuras brigadas, formadas no mínimo por dois agentes especializados, funcionarão nos Comandos Metropolitanos de Lisboa e Porto, Comandos Regionais do Continente e Ilhas (Madeira e Açores), bem como a nível de Divisões, sobretudo Destacadas, soube, ainda, o JN.
Segundo o Subintendente Bastos Leitão, "só na próxima semana será definida a estrutura interna e operacional das brigadas" pois, frisou, "ainda estamos a estudar se passarão a constituir um núcleo autónomo, com sigla própria ou, pelo contrário, serão integradas nas brigadas de investigação criminal".
Formação dos agentes
Os futuros agentes do Ambiente vão começar a receber formação específica dentro de duas semanas. A formação é feita por cerca de 30 oficiais e chefes da PSP que, entre os dias 17 e 28 de Outubro, frequentaram um curso de formação de formadores, no âmbito de uma parceria com o Instituto do Ambiente.
De acordo com Bastos Leitão, "o objectivo da formação dada aos oficiais e chefes foi actualizar e reforçar as competências técnicas nas áreas da prevenção e da investigação e constituir uma estrutura de formadores que agora vão transmitir aos elementos do dispositivo todos os conhecimentos adquiridos".
Conceitos básicos de ecologia e de ambiente, estrutura e funcionamento dos ecossistemas e ética ambiental foram algumas das matérias ministradas. Entretanto, a PSP e o Instituto do Ambiente celebraram, ontem, um protocolo com vista a acções de formação futuras.