Crise?...
Pina
Quando os políticos nos dizem (e dizem-no todos os dias) que o país está em crise, conviria que explicassem a que país se referem.
De facto, a acreditar nos números que têm vindo a público, há dois países no país. E, curiosamente, o que mais grita "crise!" (nas TV, nos jornais, na Concertação Social…) é o que menos razões tem para gritar. As empresas cotadas na Bolsa que integram o PSI 20 aumentaram este ano os resultados em 48,5% (900 milhões de euros); a Galp já leva 333 milhões de euros de lucros (cinco vezes mais do que em 2004), a PT 500 milhões, a Brisa 40 milhões, os quatro maiores bancos privados 370 milhões; o BCP bateu o recorde de lucros do ano passado, o BES triplicou-os, os do BPI já tinham, até Março, aumentado 55%; os da SONAE cresceram 135%, os de Impresa 70%, os da EDP 11,5%.
Depois, há o "outro" país, o que paga a crise de que fala o país que vive dela são, segundo números da UE, 2,5 milhões de pobres, dos quais 200 mil em situação de miséria extrema e fome; mais de meio milhão de desempregados; outro meio milhão a viver com pensões de 216, 79 euros (de acordo com o indicador do INE sobre despesas dos agregados familiares, uma família necessita de um mínimo de 244 euros/mês para sobreviver…)
O discurso da crise tem servido, nos últimos anos, para aumentar, até níveis absolutamente imorais, o fosso entre o país rico e o país pobre. A principal crise que vivemos não é financeira nem económica, é social.
De cada vez que alguém pronuncia a palavra "crise", há um pobre que fica mais pobre e um rico que fica mais rico…
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