Onovo sistema informático para processamento do abono de família e a necessidade de actualizar os dados sobre o rendimento das famílias atrasou para esta semana o pagamento da prestação aos beneficiários de alguns centros distritais da Segurança Social. Por norma, o abono é pago no início de cada mês.
No Porto, onde já está em funcionamento a nova aplicação informática (ver caixa), os processos estão atrasados devido à actualização das declarações de rendimentos das famílias. O JN apurou, contudo, que em, pelo menos, um outro centro distrital da Região Norte os pagamentos só começaram a ser processados na passada sexta-feira, atirando os pagamentos efectivos para a última semana do mês.
Manuel Pires, presidente do Instituto de Informática e Estatística da Segurança Social (IIESS), reconhece haver um atraso maior no Porto, já que é neste distrito que existe o segundo maior número de beneficiários, a seguir a Lisboa. Por isso, "o carregamento dos dados demorou mais tempo", justificou.
Os beneficiários que optaram por transferência bancária deverão, ainda assim, receber a prestação relativa a Dezembro esta semana, garantiu.
Quanto aos que escolheram o envio por cheque postal, admite que possa haver mais algum atraso, caso os Correios não consigam enviar as cartas a tempo, devido ao aumento do fluxo no Natal.
Trabalho ao fim-de-semana
A actualização dos dados dos rendimentos das famílias, mediante os quais o valor do abono é calculado, é sempre feita em Dezembro. A demora na introdução dos dados levou a que, nos perto de dez centros distritais onde já funciona a nova aplicação informática, os pagamentos só começassem a ser processados no fim-de-semana do dia 17 (de forma automática) ou no início da semana seguinte, adiantou Manuel Pires.
Lisboa é um dos cerca de oito centros ainda a funcionar com o sistema informático anterior, mas, até ao final de Março do próximo ano, todo o país deverá estar coberto pela nova aplicação, acredita o presidente do instituto responsável pela informática da Segurança Social.
O abono de família é a última das prestações imediatas a ser enquadrado neste tipo de aplicações, a somar ao subsídio de desemprego, doença ou ao Rendimento Social de Inserção.
Quanto às pensões, já recorrem a um sistema nacional, pelo que o IIESS entende não ser necessária, para já, uma actualização.
Em Setembro, estavam registados 1,319 milhões de titulares de abono de família.
Combater a fraude e a evasão
Com a migração dos 18 centros distritais para a nova aplicação informática, que começou em Junho deste ano e deverá terminar dentro de três meses, o abono de família passará a ser processado e pago partindo de uma base de dados única. Ou seja, os computadores dos centros distribuídos pelo país vão buscar a informação sobre os beneficiários a uma só base de dados nacional. Assim se evita, explicou Manuel Pires, que uma pessoa peça o subsídio em mais do que um distrito. Por outro lado, adiantou, o sistema vai também "beber" a uma fonte única dados como a identificação correcta do beneficiário ou o seu nível de rendimentos, mediante o qual o valor da prestação é calculado. O investimento, que Manuel Pires disse ser grande, mas sem quantificar, será "rapidamente recuperado, quer pela agilização do processo que vai permitir, quer pela redução dos níveis de fraude e evasão".