M esmo no início do século XXI, e quando a aposta nas novas tecnologias e multimédia nas escolas são os princípios fundamentais propalados pelo próprio Governo, existem ainda algumas em que não se pensa em luxos como computadores, mas mais em evitar o frio que entra nas salas ou exterminar as ratazanas que insistem em interromper as aulas. Em Quintã de Jales, uma aldeia situada no planalto de Jales e pertencente à freguesia de Vreia de Jales, concelho de Vila Pouca de Aguiar, há uma escola básica assim. É a professora que faz cortinas para evitar que o frio entre nas salas e os roedores são presença assídua durante as aulas, frequentadas por cinco crianças.
"As janelas não têm estores, e tive de fazer os cortinados. É que o frio, nestas bandas, é de rachar", contou, ao JN, a professora Maria Antonieta Fernandes, que dá aulas há 26 anos naquela mesma escola."É inadmissível que ainda exista um estabelecimento de ensino nestas condições, onde até as ratazanas entram", sublinhou aquela responsável.
Mas existem ainda outros problemas que afectam o edifício. Entradas de água pelo telhado, canalizações da casa da banho rotas e uma velha salamandra que "faz de conta que aquece", são outras das muitas deficiências.
O perigo reside, também, paredes-meias com a escola, onde, a escassos metros, alguns penhascos ameaçam desabar sobre o recreio que, além de pequeno, não tem cobertura, o que obriga a que, durante o Inverno, as crianças quase não saiam do edifício da escola. Além disso, também não há transporte para os alunos e há alguns casos de meninos que têm de andar mais de oito quilómetros, para irem para a escola, de manhã e à tarde. Todas essas carências têm levado a professora Antonieta a bater a muitas portas, porém, nenhuma ainda se abriu.
Confrontada com essa situação, a Câmara de Vila Pouca de Aguiar respondeu de imediato que "a gestão das escolas pertence às juntas".
Por sua vez, o recém-eleito presidente na freguesia de Vreia de Jales, António Fernandes, adiantou que " já foi feita uma pequena intervenção na chaminé e na estufa" da escolas, mas prometeu que vai melhorar "as condições logísticas para alunos e professores".
Uma das iniciativas será o reforço eléctrico, "de modo a melhorar as condições de aquecimento". O edil deixa, porém, o recado "Não se pode resolver em alguns dias, problemas com dezenas de anos".