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Prevenção de nova seca terá medidas para durar

Eduarda Ferreira

As entidades que participam na Comissão para a Seca 2005 estão a contribuir para a elaboração de medidas capazes de minimizar um eventual agravamento da situação vivida desde 2004 e de salvaguardar situações de crise futuras, que os especialistas em climatologia admitem virem a repetir-se com maior frequência. As medidas deverão ser anunciadas em meados de Janeiro.

Esquecer a seca logo que chove tem sido a atitude seguida em Portugal, mas a repetição do fenómeno em períodos cada vez mais curtos está a obrigar a outra memória. Responsáveis pela gestão da água já estão a elaborar medidas para que o país esteja mais bem preparado em caso de estiagem prolongada. Só a poupança de água com a crise já instalada não será, por si, solução. Assim, mesmo que em 2006 a seca seja ultrapassada, o Instituto da Água deverá continuar a garantir a coordenação de um órgão que, em permanência e dando continuidade à Comissão para a Seca 2005, acompanhe as disponibilidades daquele recurso natural tendo em conta futuros cenários graves de escassez.

Em meados do corrente mês, apesar de alguma chuva, o país ainda tinha 83% de território em seca fraca. As albufeiras tinham recuperado algum do seu volume, mas nem todas tinham chegado aos seus valores médios para a época. As barragens na bacia do Douro foram das que mais recuperaram, mas ainda estavam 12% abaixo desse valor médio.

Espanha teme o pior

Entretanto, em Espanha, o Conselho de Ministros prepara-se para decidir sobre a quantidade de hectómetros cúbicos a usar no transvase Tejo-Segura. Segundo a Lei, a decisão terá que ser tomada a este nível sempre que as reservas do Tejo sejam inferiores a 493 hectómetros cúbicos. Ora, tais reservas situam-se agora em pouco mais de 300 hectómetros cúbicos.

Presentemente a Espanha tem as suas barragens a 45,3% da sua capacidade total. Durante a semana antes do Natal foi a Bacia do Tejo aquela em que mais desceram os níveis . Ainda no lado espanhol, o Tejo está a 40,6%, se tida em conta a capacidade total, que é de 11 mil hectómetros cúbicos. No entanto, a média dos últimos dez anos não atinge os seis mil. Já no Douro espanhol, para a capacidade total de 7.463 hectómetros cúbicos estão armazenados 3.500, sendo a média de dez anos de 4.452. Recorde-se que Espanha invocou, no Verão, o regime de excepção previsto na Convenção de Albufeira sobre as bacias hidrográficas luso-espanholas. À luz do acordo, e tendo em conta níveis mínimos de pluviosidade fixados, reteve parte do caudal do Douro.

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