Um século de histórias
Éimprovável que hoje a Livraria Lello seja visitada por figuras da mesma estirpe de Guerra Junqueiro, Aurélio da Paz dos Reis, Afonso Costa ou Abel Botelho, que, há exactamente um século, fizeram do acto inaugural uma das mais concorridas sessões públicas da história do Porto no século XX. Da autoria de Xavier Esteves, o "formoso templo ao divino culto da emoção e da ideia" atraiu ao edifício da Rua das Carmelitas uma multidão de entusiastas do livro ou simples curiosos, rendidos "à riqueza de tons do grande vitral, ao recorte gracioso das janelas, à balaustrada da galeria ou à fachada em estilo neogótico", como descreveram os jornais da época.
Todavia, se a concorrência crescente a a dispersão de iniciativas inviabilizam o regresso ao passado, o fascínio exercido pelo local que já foi apelidado de "a mais bela livraria do Mundo", esse, mantém-se.
"Respeitar o passado, injectando modernidade", é a fórmula pela qual se rege Antero Braga, o empresário do sector que, há 11 anos, se dispôs a travar a decadência do espaço, ao encetar obras de remodelação orçadas em 750 mil euros.
Precursora ao longo do seu rico historial - iniciativas, hoje vulgares, como o 'cartão fidelidade' ou os cafés-literários realizaram-se pela primeira vez entre nós na livraria portuense -, a Lello não se quer contentar com o estatuto de ícone cultural e turístico da cidade. "A qualidade do atendimento e o stock vasto são dois dos alicerces do nosso trabalho", garante Antero Braga, ciente de que "continua a haver um público que não se fica pelos 'best sellers'".
Para assinalar o centenário já estão pensadas varias iniciativas, de peças de teatro a recitais de poesia, cujas datas de realização serão anunciadas brevemente. Os clientes do dia vão ser agraciados com um brinde-surpresa.
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