Cirurgião deixou pinça na barriga de paciente
e Paula Gonçalves
Uma mulher teve, durante cerca de um ano, uma pinça de 18 centímetros no abdómen, que foi ali deixada após uma intervenção cirúrgica. O caso passou-se em Coimbra, numa clínica privada e obrigou a uma segunda operação, desta feita, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), para retirar aquele instrumento cirúrgico.
O processo deste caso de aparente negligência médica já teve julgamento marcado no 3.º juízo criminal do Tribunal de Coimbra, embora exista ainda a possibilidade dos arguidos chegarem a um acordo com a vítima, evitando assim uma possível condenação que até poderia ter consequências a nível das suas carreiras profissionais.
Dos nove suspeitos iniciais (todos os elementos médicos que participaram na referida operação ao fígado), o Ministério Público acusou três deles um cirurgião, uma instrumentista e uma outra enfermeira.
O instrumento que ficou no abdómen da mulher, residente na zona de Castelo Branco, é uma pinça hemostática que terá 18 centímetros. Aparentemente, a presença da pinça no corpo da vítima, durante cerca de um ano, não terá deixado sequelas. Mesmo assim, a paciente moveu um processo aos médicos em causa, exigindo uma indemnização de algumas dezenas de milhares de euros. Durante as várias fases do processo, não foi possível chegar a um acordo, pelo que este mês, em Coimbra, se deverá realizar uma última reunião entre as partes que poderá evitar o julgamento. Até porque, além dos médicos, a própria clínica e a respectiva companhia seguradora poderão ser chamadas ao banco dos réus. Por outro lado, os HUC também querem ser ressarcidos da despesa referente à operação que teve de ser feita (pelo mesmo cirurgião) para retirar a referida pinça à paciente.
Apesar do caso remontar a 2003, e do julgamento até já ter estado marcado (apesar das datas previstas terem, entretanto, ficado sem efeito), a possibilidade de acordo fez com que a situação nunca fosse tornada pública e os esforços do JN para falar com a paciente ou o seu advogado tenham esbarrado no silêncio. Tal como o requerimento apresentado pelo JN no 3.º Juízo Criminal do Tribunal de Coimbra para consulta do processo. Embora o acesso ao processo (que não está em segredo de justiça) seja público, mediante requerimento, não chegou qualquer resposta (nem positiva nem negativa) à redacção do nosso jornal.
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