Jeerónimo de Sousa usou, ontem, o penúltimo comício de campanha para lançar um forte ataque ao Governo socialista, a quem acusou de "estar a usar mal a sua maioria absoluta" e de contribuir para uma eventual vitória da Direita nas eleições presidenciais.
No Seixal, território comunista, o candidato apoiado pelo PCP considerou que o Executivo, "embora enchendo a boca" de expressões como competitividade ou desenvolvimento económico, "não conseguiu ainda justificar os sacrifícios" que continua a pedir aos portugueses. Com casa cheia no cinema de Paio Pires, rejeitou o argumento de que não estamos perante umas legislativas e criticou, igualmente, "alguns candidatos" da Esquerda, ora pactuantes, ora ajudantes, que propõem a descoberta da pólvora", quando "um presidente da República não tem que inventar muito". Basta-lhe cumprir a Constituição.
Cavaco também foi atacado e "votar nele seria juntar mais Direita à política de Direita" deste Governo. De sua parte, Jerónimo promete "um resultado magnífico". E "os que previam que o PCP ia ser varrido das autarquias enganaram-se e vão enganar-se agora também", assegura, em jeito de provocação.
O dia já tinha sido dominado por outras críticas ao Governo, em particular à ministra da Educação, que o candidato acusou de ser preconceituosa ao sugerir, numa recente entrevista televisiva, "que um electricista não precisa de saber Português". Uma forma, também, de Jerónimo defender a sua própria condição de operário e responder aos que consideram que está menos preparado para Belém por lhe faltar o título de doutor.
"Saiba a ministra que aquela é uma expressão que se dizia antes do 25 de Abril", criticou Jerónimo, descontente com a distinção feita e recordando que todos os trabalhadores têm direito à cultura. No contexto, insistiu na ideia de que é o preconceito quem afasta vários eleitores da sua candidatura. E assumiu-se como o candidato que "emanou do mundo do trabalho" para apelar ao voto dos cerca de 300 trabalhadores da Câmara de Palmela (CDU) que com ele almoçaram. A mensagem é a de que tem "condições para lutar de igual com as outras candidaturas" e está "preparado para uma segunda volta".
Tal segunda volta, insinuou de seguida, corre o risco de não se concretizar por causa do Governo. O aumento dos combustíveis foi mais um mote para responsabilizar o PS por uma eventual fuga de eleitores para a Direita. "Os portugueses não vão desligar a actual política das eleições. E esta medida é mais um golpe na esperança que criou", denunciou Jerónimo.
Jerónimo seguiu depois para um lugar obrigatório nas campanhas do partido a Autoeuropa, em Palmela. Na mudança de turno, cruzaram-se com ele cerca de dois mil trabalhadores, na sua maioria apressados. A comitiva seguiu depois para Seixal, outro concelho comunista.
AGENDA 10h Barreiro arruada
16h30 Lisboa arruada na Baixa
21h30 Porto comício de encerramento da campanha