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"Roma" junta realização HBO com humor inglês

Ana Gaspar

J unte-se a qualidade da realização, argumentos e diálogos das séries com a chancela HBO à plasticidade e ao humor britânico da BBC e temos "Roma". Uma das séries mais caras da história - 100 milhões de dólares (mais de 80 milhões de euros) -, rodada nos estúdios Cinecittà, na capital italiana, nomeada para dois Globos de Ouro (melhor série e actriz dramática) e que a 2 vai exibir a partir desta noite durante as próximas 12 semanas, tantas quantas a primeira série de episódios.

Só na Grã-Bretanha a estreia na BBC foi vista por 6,6 milhões de espectadores, em Novembro último, e o canal por cabo norte-americano HBO, que exibiu os episódios em Agosto, tem 27 milhões de assinantes. Uma realidade bastante diferente da portuguesa, mas que garante que "Roma" faça parte do leque das produções de grande qualidade em que a 2 tem vindo a apostar e que transformaram as noites de segunda-feira no horário privilegiado de emissão.

A série, que resulta de uma produção conjunta HBO e BBC, irá para o ar só depois das 23 horas devido a algumas cenas que podem chocar espectadores mais sensíveis, conforme explicou aos jornalistas Jorge Wemans, o novo director do canal público, durante o visionamento do primeiro episódio.

A acção começa em 54 a.C. e conta a história de Júlio César, desde a ascensão ao poder e o fim da República até ao seu assassinato. O realismo não torna meigas as cenas de batalha e a crucificação de prisioneiros. Porém, a atenção requerida para acompanhar os diálogos rápidos e as elaboradas manobras políticas de bastidores rapidamente desvanece da memória a cena anterior.

Outro pormenor de relevo é a forma como a cidade foi retratada. Ao contrário dos espaços amplos e limpos que as grandes produções "hollywoodescas" criaram no imaginário, Roma é agora retratada com ruas estreitas e sujas sob a imponência dos grandes monumentos onde escravos se misturam com nobres.

A cidade que governa grande parte do mundo até então conhecido está decadente e rege-se pelos interesses dos poderosos. Segundo a revista brasileira "Veja" a produção foi até ao detalhe de importar os tecidos da Índia e tingi-los de forma artesanal de modo a que o guarda-roupa criado pelo designer April Ferry parecesse o mais autêntico possível. Foram feitas quatro mil peças, sendo que 2500 se usaram nos primeiros episódios. A produção mandou vir da Bulgária 1250 pares de sapatos.

Do elenco fazem parte nomes mais conhecidos pelas suas prestações no teatro e cinema do que propriamente em televisão. Ciarán Hinds, no papel de "César", Kenneth Cranham, como "Pompeu", e Polly Walker interpretando "Atia" ocupam alguns dos principais papéis.

Cabe a Kevin McKidd como "Lúcio Voreno" e a Ray Stevenson, "Tito Pullo", dois legionários, darem o ponto de vista da população aos acontecimentos mas também alguns dos momentos bem humorados como, por exemplo, a negociação entre este último e um dos deuses adorados pelos romanos sobre o número de sacrifícios necessários para a sua saída da prisão.

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