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Expulsos por indisciplina

Pedro Vila-Chã

O director do colégio D. Diogo de Sousa garantiu, ontem, ao JN que as expulsões dos três alunos do 8.º ano ficaram a dever-se "ao incumprimento das normas que figuram do regulamento interno" e aos "percursos de indisciplina, actuações e comportamentos dos alunos". O padre Cândido Azevedo de Sá fez alusão à clareza das regras que norteiam disciplinarmente o colégio bracarense (os cerca de 130 docentes, os 1400 alunos e o pessoal auxiliar) e referiu que as expulsões foram decididas "a bem da turma e dos colegas".

Foram, precisamente, as características disciplinadoras do colégio que levaram José Abreu (pai de um dos alunos expulsos) a colocar o filho nesta escola. "Entendo que a disciplina será boa para o futuro do meu filho", diz, alertando, contudo, para a "desproporcionalidade na aplicação de castigos e a forma aleatória como são aplicados. Falta bom senso", entende e, por isso, solicita a intervenção do arcebispo de Braga, porque considera que "actos como este estão a denegrir a imagem do colégio".

José Abreu mostra-se "chocado" com as razões evocadas pela direcção do colégio, na sustentação da expulsão do filho. O extenso documento chegou-lhe a casa, via fax, às 23 horas de terça-feira e, entre os motivos, refere-se que o aluno "dava chutos nas pastas de colegas; não estava calado nas aulas; nos balneários escondeu roupa de colegas; e recusou a prática de exercício físico, numa aula de ginástica, entre outras". Para José Abreu, estas razões carecem de "condescendência" e escondem a verdadeira razão ter assinado um cartaz alusivo ao 25 de Abril. "Consideram que indivíduos de esquerda não podem frequentar o colégio", diz José Abreu.

Foi, precisamente, neste quadrante político que se fez ouvir a voz da indignação. "Estranhamos, devido às responsabilidades que lhe são atribuídas, a posição da DREN, que única e exclusivamente questiona os procedimentos formais de todo o processo", diz a JCP.

A deputada do BE Alda Macedo entregou ontem um requerimento na AR, questionando a posição do Ministério da Educação sobre a expulsão de três alunos do Colégio D. Diogo de Sousa. A deputada lembra, no documento, que "a direcção deste colégio é a mesma que há três anos recusou a inscrição de um aluno com trissomia 21".

O Colégio D. Diogo de Sousa, é um estabelecimento de ensino particular com uma ampla tradição e prestígio no Minho, criado em 1950.

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