Sérgio e Mário, dois dos alunos expulsos do Colégio D. Diogo de Sousa, em Braga, estão, desde segunda-feira, a ter aulas acompanhados por um psicólogo. Contratado pelos pais, Bruno Viana tenta manter os dois rapazes a par da matéria que vai sendo dada nas aulas "São três horas diárias, entre as duas e meia e as cinco e meia da tarde, com um horário idêntico ao que eles tinham no colégio, de forma a prejudicá-los o menos possível", explicou o professor dos rapazes.
Recorde-se que três alunos do 8.º ano foram expulsos, na semana passada, do estabelecimento de ensino sem qualquer notificação ou conhecimento por escrito por parte dos encarregados de educação. O caso remonta a Dezembro, quando um cartaz sobre o 25 de Abril assinado por 40 alunos apareceu num placar da escola numa insinuação ao ambiente do colégio "Há 30 anos ganharam, e agora? Os alunos têm o direito a dizer o que pensam, a ter uma educação liberal, a fazer greves", eram os dizeres do cartaz, arrancado pela Direcção da escola e que levou ao levantamento de processos disciplinares a cinco alunos, todos da mesma turma, três deles suspensos imediatamente por dois dias.
O psicólogo explica, também, que o seu trabalho consiste "em explicar a matéria e resolver alguns exercícios" reconhecendo que "aqui há uma maior dinâmica pois vão mais vezes ao quadro, são mais interventivos e corrige-se de forma diferente os erros".
No entanto, esta não é, para Bruno Viana, a situação ideal "Apesar de ser um estudo mais individualizado, adquirindo para o futuro formas de estudo diferentes, há também um claro prejuízo, porque há boas bases que se perdem e que no futuro serão muito importantes". Por isso, considera ser urgente "voltarem ao habitat da escola o mais depressa possível".
No fundo, para o professor que acompanha Mário e Sérgio, "este método pode ser mais personalizado, mas é menos enriquecedor porque lhe falta o contributo dos outros colegas".
"Chateados e muito revoltados". É assim que dizem sentir-se os dois rapazes, com a situação vivida, não mostrando, à partida, qualquer arrependimento pelo que passaram. É que, ambos estão convencidos que a proporção do castigo não se coaduna com os actos praticados. Reconhecem que fizeram mal, mas isso não é suficiente para mudarem o comportamento, como reconhece o próprio psicólogo "Este castigo não está a ser benéfico para eles, porque não lhes está a mudar o comportamento. Eles têm noção que a situação é injusta".
A mãe de Mário reconhece que "a paulada foi tão grande que ainda não perceberam muito bem toda a situação".
Marília mostra preocupação pelas consequências que a expulsão pode ter no filho "Mesmo achando que não há motivos para a decisão tomada, mas havendo uma resolução, deveria ter sido tomada por toda a comunidade escolar, que escolheria aquela que minimizasse os riscos nesta altura do ano".
É que, para a mãe de Mário, a perda de um ano lectivo "pode ter consequências muito graves e, quando se penaliza, deve ser tudo muito bem ponderado. E neste caso não foi".