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Nova coqueluche permite motivar alunos nas aulas

Fernando Basto

Para a maioria das escolas oficiais portuguesas, não passa ainda de um sonho. Contudo, cresce o número de estabelecimentos de ensino que abre as portas à coqueluche das novas tecnologias de aprendizagem o quadro interactivo. Os professores que já o utilizam vêem nele um excelente auxiliar para a implementação de estratégias de ensino inovadoras, que agarram a atenção e motivação dos alunos.

"A circunferência não ficou muito redondinha, não é? Mas eu uso a caneta inteligente e, já está! Fica perfeita!". No quadro interactivo, a professora de Matemática do 10.º E da Escola Secundária de Castêlo da Maia desenha circunferências, marca pontos, traças rectas e encontra as equações das mediatrizes sem grande esforço. Basta ter o computador ligado que, no quadro, a caneta digital ajuda a fazer aparecer desenhos, equações e textos já previamente organizados.

Os alunos acompanham a aula com atenção redobrada. "Com o quadro estamos mais atentos e todos querem ir lá resolver os exercícios", disse a Soraia, perante a anuência dos colegas e da professora. "E evita perder muito tempo a fazer os desenhos, como acontecia no quadro tradicional", juntou outra colega.

A professora, Inês Moreira, que utiliza o novo auxiliar didáctico desde o início do ano lectivo, já sabe que, quando a aula é dada no quadro interactivo, sente os alunos mais predispostos a aprender.

"Não nos interessa utilizá-lo por utilizar, mas apenas quando pretendemos realizar actividades que, com a ajuda do quadro, sabemos que vão ter efeito sobre a aprendizagem", realçou.

Na "Secundária" do Castêlo da Maia, há já cinco quadros interactivos em utilização. Contudo, a sua aquisição surgiu no seguimento de três anos dedicados a dotar toda a escola das novas tecnologias da informação. Hoje, não só existe a possibilidade de acesso à internet em todas as salas de aula, como a própria escola está dotada da sua rede de intranet.

Paula Romão, presidente do Conselho Executivo da Secundária do Castêlo da Maia, referiu o apoio dado pelo projecto Maia Digital no equipamento tecnológico da escola. Contudo, as verbas para os quadros interactivos saíram dos cofres da próprio estabelecimento de ensino.

"Com a informatização, acabámos por poupar muito dinheiro com fotocópias e com a manutenção das máquinas. Abandonámos as cópias e optámos por um outro canal de comunicação mais rápido, mais eficiente, mais barato e que permite a interactividade", salientou.

Com toda a escola informatizada e já com três anos de experiência no uso das novas tecnologias, surgiu a possibilidade de adquirir agora cinco quadros interactivos.

"As aulas tradicionais têm de acabar. Há muitos alunos desmotivados nas escolas. Já que não podemos alterar os currículos, muitos dos quais estão desactualizados, então temos de agir a nível dos processos de ensino-aprendizagem", salientou Paula Romão.

Para aquela gestora, os quadros interactivos estão a dar provas da sua vantagem na motivação das aulas, que adquirem uma nova dinâmica. "Eles têm um efeito grande sobre a visão, o que permite não só prender a atenção dos alunos, como ajudá-los a reter o que aprendem", esclareceu.

Em funcionamento desde Setembro, os quadros têm sido mais utilizados pelos professores de Matemática, que se reúnem periodicamente para preparar aulas e materiais. O sucesso tem sido tal que, após esta fase inicial de utilização, a escola deverá investir na aquisição de mais unidades.

Em aulas onde se treme de frio, quadro é visto como um luxo

Um luxo. É assim que a maiorias das escolas oficiais vêem a aquisição de apenas um quadro interactivo, cujo preço ronda os 2000 euros. Na Escola Secundária/3 Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, as carências são tantas que a obtenção de um quadro interactivo só foi possível graças à oferta feita por uma editora.

"Se eu tivesse condições financeiras aqui na escola, começaria pela manutenção do edifício e pela recuperação dos materiais didácticos", disse ao JN Álvaro Santos, presidente do Conselho Executivo.

Convidado a indicar a prioridade número um, o gestor referiu os laboratórios de Química e Física. "Estão muito mal apetrechados, com equipamentos já muito desactualizados", realçou.

Logo depois, recordou a inexistência de caloríficos nas salas de aulas, o que faz com que alunos e professores sejam obrigados a trabalhar com os dentes a ranger. Perante o rol de carências e tendo de estabelecer prioridades para a aplicação das verbas disponíveis, garante que o sonho de dotar a escola de quadros interactivos não passa de "um sonho".

Ainda assim, Álvaro Santos mostra-se satisfeito com as potencialidades dos novos quadros. "São muito mais apelativos para os miúdos e os professores passam a ter à mão uma série de materiais e exercícios para usar na aula", referiu.

Na "Secundária" de Valadares, o quadro interactivo está a ser mais utilizado pelos professores que leccionam as turmas do 9.º ano e do secundário.

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