Um em cada cinco parlamentares eleitos em 2005 é mulher e a zona do mundo que mais avançou em matéria de representatividade política feminina foi a América Latina, segundo um relatório da União Interparlamentar (UPI).
O relatório foi divulgado ontem, por ocasião da inauguração da 50.ª sessão da Comissão para o Estatuto da Mulher na ONU, e oferece uma ampla perspectiva sobre a presença feminina nos parlamentos de todo o mundo.
Dos 39 países onde se realizaram eleições legislativas em 2005, em 28 aumentou a percentagem de mulheres deputadas, o que representa 72%. Os avanços mais significativos, sublinha o documento, ocorreram nos países da América Latina, com especial ênfase nas Honduras, onde a participação feminina no Parlamento registou um aumento de 23,4%.
Os autores do relatório salientam que foi a aplicação de quotas que permitiu melhorar a representação da mulher nos órgãos políticos legislativos.
Outros países que registaram progressos graças ao sistema de quotas foram a Argentina, que conta actualmente com 36,2% de mulheres no Parlamento, a Bolívia, com 16,9%, e a Venezuela, com 17,4%.
Na Europa, os países escandinavos continuam a liderar em matéria de representatividade feminina parlamentar, com a Noruega (37,9%) e a Dinamarca (36,9%) nos primeiros lugares.
O secretário-geral da UPI, Anders Johnsson, afirmou, em conferência de Imprensa, que "os países escandinavos continuam a ter uma maior igualdade na representação das mulheres nos parlamentos" que os do resto da Europa, com a excepção de Espanha.
Johnsson indicou que, em Espanha, 36% dos deputados são mulheres, ao passo que no Reino Unido são apenas 19,66%, em França 12,20% e em Itália 11,53%. Nos Estados Unidos, a percentagem desce aos 15,15%. O secretário-geral lamentou que países como o Reino Unido, França, Estados Unidos e Itália, que se orgulham da sua longa tradição democrática, ocupem, apesar disso, lugares intermédios no "ranking" mundial de nações em matéria de igualdade de género nos órgãos de decisão política.