"Tempo é cérebro". Quanto mais tempo se perde mais células cerebrais morrem. Este é o lema do projecto "Via Verde do AVC", que visa dar máxima prioridade aos doentes com Acidentes Vasculares Cerebrais, encaminhando-os, sem paragens intermédias, para os hospitais com tratamento específico da patologia. O programa está em fase experimental e no Porto já serviu 150 doentes.
A "Via Verde do AVC" já tinha dado sinais de vida no Governo de António Guterres, mas pouco "cresceu". No final do ano passado, foi "reanimado" pelo Coordenador Nacional das Doenças Cardiovasculares, Ricardo Seabra Gomes. E os resultados são considerados "animadores".
"O projecto recebeu um grande impulso. Começámos com um número muito reduzido de casos e já estamos a ter resultados muito positivos", afirmou, ao JN, Miguel Soares de Oliveira, delegado regional do INEM do Norte.
O objectivo é levar os doentes com AVC o mais rapidamente possível até aos hospitais. No caso da região Norte, até ao "S. João" ou ao "Santo António", unidades que asseguram a realização da trombólise (desobstrução dos vasos cerebrais).
Para que o doente chegue ao hospital "certo" em menos de três horas, a "cadeia" que o projecto segue não pode falhar. E tudo começa na identificação do AVC.
"Quando alguém detecta os sinais de alarme, como a perda súbita de força ou sensibilidade num membro superior, alterações na fala e a chamada boca ao lado, deve ligar logo para o 112. Este é o primeiro elo e é fundamental que corra bem", explica Miguel Soares de Oliveira. Pelo telefone é feita uma triagem mais cuidadosa e enviada uma viatura médica do INEM ao local. Quando se confirma o quadro clínico, o doente vai directamente para o "S. João" ou "Santo António".
"Se estiver em Viana do Castelo vai logo para o S. João, onde está tudo pronto para o receber", diz o médico. Dos 150 doentes transportados no âmbito do projecto, 85% dos casos confirmaram o diagnóstico inicial.
As equipas do INEM e os profissionais do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) receberam formação de neurologistas para melhor identificarem os sinais de um AVC. Mas o primeiro passo tem de ser dado pelo acompanhante do doente. Por isso, a Sociedade Portuguesa do AVC promove, hoje, entre as 9 e as 17 horas, no Pavilhão Rosa Mota (Porto) uma sessão de informação ao público sobre a doença. Inês Schreck
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