á três meses que Manuel Casimiro Pinheiro não saía de Casal da Areia, na freguesia de Alcoentre, concelho de Azambuja. Mas às 8.30 horas já estava pronto para entrar no autocarro gratuito, disponibilizado pela Câmara Municipal, que pretende colmatar o isolamento das freguesias no norte do concelho.
«Dói muito querer sair de casa e não se poder, porque não existem transportes. Ou melhor, eles até existem. Mas se eu quiser ir até à Azambuja, que são só apenas 10 quilómetros, abalo de manhã e chego à noite», salienta o passageiro, de 85 anos.
«Vim às Finanças, mas, como me despachei, aproveitei para dar um passeio. Doutro modo, só vinha cá quando o meu filho me trouxesse, ou num carro de praça (táxi)», admite, por outro lado, Fernando Carvalho, de 61 anos.
Até 26 de Junho, duas vezes por mês, a população de quatro freguesias - Maçussa, Vila Nova de São Pedro, Manique do Intendente e Alcoentre - pode deslocar-se, durante uma manhã, num transporte gratuito até à vila-sede do município, para aceder aos diversos serviços que ali estão concentrados.
«Os habitantes são muito poucos e a Rodoviária do Tejo considera que não é rentável ter autocarros a circular nestas localidades. E esta situação insustentável não podia continuar», explicou, ao JN, o responsável pelo pelouro dos Transportes e Oficinas Municipais, José Manuel Pratas.
A viatura de 27 lugares e o respectivo motorista foram desafectados dos serviços centrais camarários para a realização do circuito experimental. Dependerá agora da afluência de passageiros a continuação do projecto e o seu alargamento a outras três freguesias.
«Espalhei a notícia pelos meus vizinhos e hoje viemos todos juntos ao Centro de Saúde», avança, satisfeita, Maria Gertrudes, de 41 anos, moradora em Maçussa, para quem a alternativa seria «apanhar a carreira às 8 da manhã, dar a volta pelo Cartaxo, passar a tarde sozinha em Azambuja e regressar às 21 horas».
Nas freguesias, o isolamento também ataca pequenas localidades. Assim, como complemento ao autocarro disponibilizado pela Autarquia, a Junta de Manique pôs a circular uma carrinha de nove lugares que leva e recolhe os passageiros.