Inventou cadeira a motor para mulher fazer terapia
Nuno Silva Fernando Oliveira
oi a pensar no futuro da mulher - tetraplégica devido a um Acidente Vascular Cerebral - que José Manuel Ferreira, de 88 anos, partiu para a sua obra-prima. Depois de muitas noites perdidas, com o sono interrompido por ideias que acabaram por passar para o papel, conseguiu projectar o seu "maior invento" uma cadeira eléctrica que irá permitir à esposa, de 91 anos, fazer fisioterapia.
"Assim a minha mulher vai poder fazer movimentos às mãos e às pernas. Ela tem metade do corpo parado", salientou o octogenário, que se fez valer da sua experiência como serralheiro mecânico e "especialista em construção de máquinas" para engendrar e dar à luz o equipamento, numa oficina do Porto.
José Manuel Ferreira recorda que foi há 11 meses que a doença da esposa os separou. A pensar na recuperação da idosa, internada no Lar dos Capuchinhos (Porto) começou a idealizar a cadeira. Em "dois ou três meses" estava feita. Custou "cerca de 2500 euros" e está pronta para ser utilizada. Tem pedais movidos electricamente e um dos seus componentes é um assento de automóvel adaptado para as novas funções. "A minha mulher vai poder pedalar, deitada ou sentada".
A elaboração de um equipamento inovador não constituiu novidade para José Manuel Ferreira. "Tirei o curso de serralheiro mecânico em 1933. Nasci para isto. Um vez fiz, a pedido de um médico, um aparelho para operar ao esófago", lembra, sublinhando que não foi caso único na confecção de peças destinadas a cirurgias. Mas o "maior invento" é mesmo a cadeira.
A determinação em melhorar o bem-estar da mulher é tal, que a habitação que o idoso está a construir para o casal contemplará um elevador, a pensar na movimentação da esposa, entre o rés-do-chão e o primeiro andar.
"O sr. Ferreira é um exemplo de vida, com uma força de vontade enorme", afirmou Couto Soares Pacheco, um médico que conhece o octogenário há 20 anos, revelando que a "revolta" criadora também tem origem nas restrições que a médica de José Manuel Ferreira lhe colocou na altura de renovar a carta de condução, designadamente, em conduzir à noite e em auto-estradas. "Ele quis mostrar que não era um incapaz".
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