Consórcio português investe 82 milhões num hospital em Luanda
Joana Amorim, em Luanda
Luanda vai ter, dentro de três a quatro anos, um hospital privado português. O acordo empresarial que marca o arranque do processo foi ontem assinado na presença dos primeiros-ministros português e angolano, no âmbito da visita de José Sócrates a Angola, que hoje termina. Para o efeito foi constituído um consórcio composto pela Escom (empresa do Grupo Espírito Santo), BPI, CGD e Cruz Vermelha, onde terão ainda assento empresários angolanos. A gestão do hospital ficará a cargo da Espírito Santo Saúde.
Em declarações ao JN, o presidente da Escom explicou que a construção do novo hospital implicará um investimento de 82 milhões de euros e que o consórcio é detido maioritariamente pelas empresas portuguesas - a Escom e a CGD têm uma participação superior -, sendo que estão ainda à procura de parceiros angolanos, da área da saúde e da banca, que também assumirão uma posição no capital.
Hélder Bataglia revelou ainda que as áreas prioritárias, e tendo em conta as enormes necessidades da população angolana, serão a obstetrícia e a pediatria, com uma forte aposta também na telemedicina. A nova unidade hospitalar contará ainda com médicos portugueses e angolanos, disse o presidente da Escom, empresa que durante seis anos esteve a gerir três hospitais em Angola.
Também ontem foram assinados outros acordos empresariais na área da saúde, concretamente um contrato de financiamento de 11 milhões de euros entre a CGD e os ministérios das Finanças e da Saúde de Angola com vista à reabilitação do hospital do Prenda, uma obra a executar pela Teixeira Duarte. Por sua vez, a PharmaPortugal e o Hospital Pediátrico de Luanda comprometeram-se a "reforçar a prevenção e cuidados no domínio da saúde materno-infantil".
Por último, o Infarmed, que conta já com três consultores em Angola que estão a apoiar o Estado na reformulação de toda a legislação na área do medicamento, assinou um protocolo com a Direcção de Medicamenytos e Equipamentos Angolanos, assumindo o compromisso de formar, em Portugal e durante um mês, seis técnicos. A formação debruçar-se-á sobre o controlo de qualidade, a inspecção e a legislação. Para o presidente do Infarmed, Vasco Maria, estamos perante uma iniciativa muito importante para Angola, até porque "60% do mercado de medicamentos angolano é informal", razão pela qual o instituto está a apoiar o Governo angolano na criação de uma central de compras. Refira-se que Angola compra a Portugal cerca de 60% dos medicamentos que consome.
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