Protestos contra a revista "Playboy"
Orlando Castro
Apesar de não ter fotografias de mulheres nuas - o seu principal chamariz nas edições internacionais - e as suas imagens serem menos picantes do que as de revistas semelhantes também vendidas no país, centenas de muçulmanos radicais apedrejaram em Jacarta os escritórios da revista "Playboy", cuja primeira edição local saiu na última sexta-feira. Do ponto de vista de Maruf Amin, membro do Conselho Islâmico da Indonésia, "a revista é um símbolo de pornografia". Sem mais nem menos.
Ontem, cerca de 300 membros da Frente dos Defensores do Islão (FPI) concentraram-se junto das instalações da revista, certamente depois de a verem de fio a pavio para falarem com conhecimento de causa, para exigir o fim da publicação. Protesto consubstanciado na invasão do escritório e consequente destruição dos exemplares da revista e que culminou ainda com janelas e mobiliário partidos.
Apesar da protecção de cerca de 90 polícias, um dos quais ficou ferido, os manifestantes actuarem sem grande problema, admitindo os responsáveis da "Playboy" fazer uma edição local com as imagens da acção dos fundamentalistas.
"Continuaremos os ataques se a "Playboy" recusar cessar a publicação", advertiu um dos líderes do grupo, embora admitindo que, com esta contestação, a revista passou a ser mais desejada "pelos impuros".
O FPI é um grupo radical conhecido por organizar acções do género contra certos bares de Jacarta que servem álcool e que são entendidos, tal como a "Playboy", como centros do mal.
Apesar de ser o maior país muçulmano do Mundo, é fácil encontrar na Indonésia todo o tipo de verdadeira pornografia que, aliás, será motivo de exaustiva análise pelo Parlamento de Jacarta, que promete legislar sobre o assunto numa vertente proibitiva.
Seja pelas fotografias ou por outros motivos, a "Playboy" é só por si notícia. Tal como aconteceu, em Abril de 2003, ao ser multada pela Administração dos EUA por ter violado o embargo decretado contra... Cuba.
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