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Brasileiras com cocaína nos implantes

A Polícia brasileira está a investigar a denúncia, feita por Everaldo José de Sousa - uma "mula" (transportador) arrependida que passou a colaborar com a Polícia -, de que narcotraficantes estão a exportar cocaína implantada no corpo de mulheres que aceitam cirurgias para transportar a droga no peito ou pernas, noticiou ontem o semanário "Istoé", método ainda não detectado pelo Polícia.

Segundo o denunciante, os novos "correios" submetem-se a cirurgias em que são implantados pacotes herméticos com o alcalóide. As mulheres, escolhidas pela sua beleza - para os traficantes, a Polícia é mais tolerante com as passageiras -, escondem no corpo entre mil e 15 mil dólares, segundo Sousa. Apesar de as "correios" serem brasileiras, as cirurgias são realizadas em clínicas clandestinas na Colômbia e na Bolívia. Operadas, as mulheres regressam ao Brasil, viajando para a Europa ou a África.

As redes de tráfico utilizam sobretudo mulheres desempregadas que sonham em conhecer o estrangeiro ou mães solteiras carenciadas. Das cerca de mil mulheres hoje presas no Brasil por narcotráfico internacional, cerca de 94% estavam desempregadas. "Em cada 10 pessoas presas por tráfico internacional, oito são mulheres", segundo o director do Departamento de Narcóticos do Estado de S. Paulo, comissário Emílio Francolin. As mesmas estatísticas indicam que 80% das detidas no Brasil têm o mesmo perfil jovens, bonitas e da classe média.

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