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Movimento pede redefinição do copyright

Cristiano Pereira

N

uma altura em que as questões da livre troca de ficheiros na Internet e do Copyright estão na ordem do dia, surge um movimento destinado a lutar "por uma nova definição dos direitos de autor" e "por um reequilíbrio social em que a propriedade intelectual deixe de ser controlada por alguns monopólios financeiros". Trata-se do "Copyriot". A ideia começou por surgir em várias pessoas ligadas ao circuito do punk-rock e não tardou a estender-se a uma série de associações, artistas, distribuidores de obras artísticas e pessoas ligadas à programação de software.

Todos juntos elaboraram um manifesto ,"Em defesa do conhecimento e da cultura para todos", fundaram um site (http//copyriot.azine.org) e organizaram um festival que se estenderá até Maio em vários locais e com inúmeras iniciativas. Uma delas decorre na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, sexta-feira, pelas 16 horas, com uma conversa com o professor Heitor Alvelos sobre "Copyright e Música", seguida de concertos das bandas Cabaret Fortuna e Trashbaile.

"O regime de direito de autor não satisfaz as necessidades da sociedade nem está de acordo com as possibilidades que o desenvolvimento tecnológico coloca nas suas mãos", lê-se no manifesto, que acusa, logo a seguir "Este sistema transformou-se em legitimador da submissão da cultura às leis do mercado, favorecendo a dominação económica e cultural dos povos". E prossegue: "O direito de autor como direito humano deve ter implícito o equilíbrio entre o direito de autor à sua obra e o direito da sociedade a ter acesso a ela. Este equilíbrio foi quebrado, não a favor dos autores nem da sociedade, mas a favor dos que exercem os direitos em nome dos autores, ou seja, os cada vez maiores monopólios da indústria editorial, informática, biotecnológica e do entretenimento".

O manifesto, escrito em conjunto, sustenta ainda que "a criação não se defende impedindo a sua difusão" e que "normas mais rígidas não trarão mais criatividade".

Os responsáveis pelo "Copyriot" assumem, também, que um dos seus objectivos passa por "construir, na teoria, uma pensamento anti-hegemónico integrador em matéria de direitos culturais, artísticos, intelectuais, científicos e tecnológicos".

"O nosso inimigo não é o pessoal que gosta, copia, divulga, mostra, troca, empresta e apoia o que se faz", garantem, apontam, de imediato, o dedo "a quem nos impede de mostrarmos o que fazemos e que reprime quem o faz".

Como tal, dizem defender "as culturas e formas de expressão em perigo real de serem absorvidas pela cultura hegemónica" e assumem-se como "pessoas que clamam por um maior acesso à informação e ao conhecimento, em defesa dos interesses sociais, criticando aspectos como o secretismo e a competitividade".

Entretanto, António Cunha, um dos obreiros do festival Copyriot, afirmou ao JN que "inicialmente a ideia era ser uma questão estritamente musical mas depois conseguimos alargar o âmbito do festival a outras actividades artísticas e não só". Frisando que o Copyriot não se limita apenas à questão dos direitos de autor ou à polémica da livre circulação de música na Internet, António Cunha apontou outro exemplo "Uma das coisas com que nos preocupamos bastante é, por exemplo, a questão da patenteação de genes ou dos princípios activos das plantas que as grandes farmacêuticas e indústrias químicas fazem".

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