Que teria sido do Figo se não tivesse treinado até à exaustão? A pergunta é feita por Pedro Chagas Freitas, escritor e jornalista, dinamizador da Fábrica de Escrita, que deve abrir portas em Guimarães em Maio. "A escrita é, como o futebol, por exemplo, resultado da conjugação das capacidades inatas com o poder de laborar sobre essas mesmas capacidades", sustenta Pedro Chagas.
A Fábrica, adianta, quer "dedicar-se à produção de tudo o que está subjacente à criação literária", seguindo o modelo de "uma escola de escritores como as que existem noutros países e que faz falta no nosso". Por isso prevê turmas e diferentes níveis. "Não se pretende criar autores de best-sellers, mas dotar as pessoas da capacidade de escrever com qualidade, sem erros". "Nas academias de futebol dos grandes clubes, só 1% dos jogadores segue carreira ou atinge a fama", compara.
Não se pretende, ressalva, "dizer como se escreve", mas antes aplicar o princípio de "oferecer a cana e não o peixe". Ou seja, "transpor pensamentos e imaginações para o papel, para que as pessoas escolham o seu caminho, a sua voz, evitando o lado mais convencional da escrita".
Coordenada pelo autor do projecto, a escola contará com colaboração de "nomes conhecidos" da crítica literária, do jornalismo e da literatura, a revelar oportunamente. O projecto, sublinha, é assumidamente pequeno. "Não quer crescer muito, mas sim trabalhar bem". Joaquim Forte
A Oficina da Escrita
Textos para telemóveis e trabalhos académicos
A Fábrica anuncia outros serviços relacionados com a escrita auxílio na elaboração de trabalhos académicos, consultoria linguística e criativa, serviços de escrita de slogans, criação de guiões, escrita de mensagens escritas originais para telemóveis, escrita de textos humorísticos.
"Município tem bons escritores"
Em Guimarães, nota Pedro Chagas Freitas, há bons escritores, como Carlos Poças Falcão e Firmino Mendes, de uma geração anterior à sua.