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Paulo Ferreira
 

"Há forças de bloqueio"

Arnaldo Martins

OMarco não paga salários há três meses e o plantel, após reunião com o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), decidiu avançar para a rescisão colectiva, caso o problema não seja desbloqueado até ao próximo dia 26.

Joaquim Evangelista, presidente do SJPF, criticou a acção dos dirigentes do clube marcuense e acusou o vice-presidente, Joaquim Faria, de ter agredido o gabonês Lary. "Estranho que o jogador nunca se tenha queixado e passado uma semana venha o sindicato levantar esta questão. Não agredi ninguém. Isso é mentira", diz, agastado, Joaquim Faria.

"Sobre os salários, já passámos por situações bem mais graves no tempo do Ferreira Torres e o senhor Evangelista não apareceu a defender os jogadores. Porquê? A verdade é que agora as pessoas estão mais à vontade para falar mal. Esta Direcção já pagou quatro meses de salários e uma parte da época anterior. Estamos a fazer um esforço para tentar resolver a situação, mas não tem sido fácil", reconhece.

Sem se deter, Joaquim Faria avança com alguns exemplos "Onde estão os empresários e os empreiteiros que colaboravam com o futebol? Bastava o Ferreira Torres lhes ligar. Agora, como não recebem nada em troca, nomeadamente, obras, empregos e outros favores, já não apoiam. Toda a gente sabe que é assim. Infelizmente, a esse nível, o Marco é um caso exemplar. Por isso, temos enfrentado muitas dificuldades. Há forças de bloqueio".

O dirigente acusa ainda o ex-presidente, Jorge Sousa, da actual crise financeira que afecta o Marco "Sei que o antigo presidente, movido pela influência de Ferreira Torres, tem vontade de regressar à presidência. Ele é manipulado e aconselhado espiritualmente por Ferreira Torres e tenta deturpar tudo de bom que possa acontecer".

"O 25 de Abril foi há mais de 30 anos, mas no Marco só chegou há seis meses. Ainda existem muitos tentáculos do antigo regime. Quando Ferreira Torres era o dono do clube e não cumpria com requisitos técnicos e laborais, ninguém mexia em nada. Agora, somos um alvo a abater, mas nunca me calarei".

Joaquim Faria

acredita em fogo posto

O dirigente do Marco acredita que o incêndio que deflagrou recentemente no Estádio, tendo destruído um dos camarotes, nasceu de mão criminosa "Salta à vista que se tratou de fogo posto. Fiquei aborrecido, mas há males que vêem por bem. Aquele espaço foi mais um apêndice do Ferreira Torres para colocar a sua corte".

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