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Ofensiva de eventos marca hoje o Dia Mundial do Livro

Sérgio Almeida

O que têm em comum um 'rally paper', uma exposição de pintura e a oferta de livros? Aparentemente, muito pouco. Mas estes três eventos fazem parte do impressionante rol de iniciativas que, um pouco por todo o país, assinalam hoje o Dia Mundial do Livro.

Centro e trinta autarquias - das mais cosmopolitas, como Lisboa, Porto, Coimbra e Braga, às de pequena dimensão, de que são exemplo Arronches, Arruda dos Vinhos e Póvoa de Lanhoso - responderam favoravelmente ao repto lançado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB) e associaram-se à "Primavera dos livros", a decorrer desde o início do mês.

A campanha, com uma agressividade invulgar entre nós, alicerça-se numa série de protocolos estabelecidos com vários meios de comunicação social, o que tem permitido a inserção, nas rádios e televisões nacionais, de spots publicitários, mas também a colocação de anúncios em diversos jornais.

Livros e flores

A partilha de livros e flores - em honra à velha tradição catalã, segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge (Saint Jordi) e recebem em troca um livro - é um apelo comum a uma campanha em que o IPLB pretende que se "ofereça alegria e saber", mas também "cultura e paixão".

O esforço de levar os livros até a uma faixa alargada da população, sobretudo a que costuma passar à margem das questões literárias, não conta com a participação apenas das entidades oficiais. De norte a sul, dezenas de livrarias, mas também associações privadas, promovem eventos paralelos. E nem mesmo quando o retorno financeiro ou a adesão popular ficam aquém do esperado (ler peça de baixo), o optimismo dos organizadores dá sinais de esmorecimento, já que o investimento é a palavra de ordem .

As celebrações previstas cometem o feito de chegar até aos shoppings, numa actualização da célebre aforismo acerca de Maomé e da montanha. É o caso do Dolce Vita, no Porto. Um debate literário em moldes alargados é o que propõe aquele espaço a partir das 15 horas, com moderação a cargo do jornalista da RTP João Fernando Ramos.

À mega-festa pretendida associaram-se igualmente os institutos de cultura estrangeiros em Portugal - como o British Council, o Goethe-Institut, o Instituto Cervantes, o Instituto Franco-Portugais e o Istituto Italiano di Cultura -, que planearam programas autónomos para o dia. Também aqui a dificuldade está na escolha há lançamentos de livros e debates, mas também exposições, feiras do livro e concursos.

Importância crescente

Em apenas uma década, a data criada pela Unesco para celebrar a importância dos livros em todas as culturas e civilizações passou de uma simples curiosidade a um pretexto privilegiado para incentivar o gosto pela leitura.

O impacto da efeméride, que também serve de tributo a Cervantes, Shakespare e Inca Garcilaso de la Vega, falecidos neste dia há exactamente 390 anos, pode ser medido também pela antecedência com que vários eventos têm lugar. Desde o início do mês, bibliotecas de todo o país realizaram encontros com escritores (Lagos), feiras do livro (Castelo Branco, Castro Verde e Moura) ou campanhas de recolha de livros (Montalegre).

Para assinalar a efeméride, a ministra da Cultura visita hoje unidades de pediatria de dois hospitais da zona de Lisboa, oferecendo duas centenas de títulos de literatura infanto-juvenil.

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