Dezenas de bombos e gaitas
ao despique no festival da Pena
Uma arruada com 14 grupos de gaiteiros, um almoço com iguarias regionais "pecaminosas" e um espectáculo com dezenas de estridentes gaitas de foles e rufos de tambores tocados em simultâneo marcaram o III Encontro Regional de Gaiteiros da Pena, Cantanhede. A festa, que começou de manhã cedo e terminou ao final do dia, não deixou ninguém indiferente e teve o condão de juntar 700 convivas de todas as idades e estratos sociais que teimam em perpetuar uma velha tradição secular.
O cabeça-de-cartaz do festival foi o grupo Pauliteiros de Miranda do Douro, que deu um espectáculo de arregalar o olho à esmagadora maioria do público presente. O mesmo público que ficou siderado com o cenário escolhido pelo Centro Cultural da Pena (CCP) para a realização do espectáculo de encerramento do encontro de gaiteiros (o palco, feito com a famosa pedra de Ançã, foi construído junto a uma pedreira).
Jorge Simões, presidente do CCP, não tem dúvidas em afirmar que "este festival foi um enorme êxito e é um marco incontornável na agenda cultural do concelho de Cantanhede".
"Nós somos muito bairristas e quando lançamos um projecto as pessoas aderem. É assim com este encontro de gaiteiros, mas é também assim com o teatro e com outras iniciativas da terra", afirma, orgulhoso, Jorge Simões.
Carlos Ribeiro, de Cantanhede, diz que decidiu assistir ao espectáculo dos gaiteiros não apenas por gosto, mas por "dever de cidadania". "Este casamento entre a arte popular e a gastronomia regional é uma excelente ideia, que outros deviam seguir. Este festival vale pela boa disposição das pessoas, pela comida, vinho, música, pelas experiências e memórias que se propagam com este tipo de iniciativas para as gerações mais novas, numa altura em que surgem novos valores e um grande interesse, por exemplo, pela gaita de foles", afirma Carlos Ribeiro, dando como exemplo o facto dos Pauliteiros de Miranda do Douro serem compostos basicamente por jovens.
António Joaquim, da Câmara de Miranda do Douro, salienta a importância do encontro de gaiteiros "não apenas pela oportunidade de levar mais longe a cultura transmontana, mas, sobretudo, pela troca de experiências e saberes, pela oportunidade de aprendizagem".
Isabel Ramos, de Coimbra, salienta o facto de um festival deste género conseguir reunir "os mais ricos em comunhão com os mais pobres, sem pruridos".
Gaiteiro dos Pauliteiros
"É com este tipo de iniciativas que se contribui para perpetuar os usos e costumes, as tradições antigas, que tendem a desaparecer. É uma forma inteligente de as passar aos mais jovens"
Pres. Centro Cult. da Pena
"Em vez de serem os gaiteiros a anunciar a festa, quisemos que fossem eles próprios a fazê-la. Numa terra de tradições musicais e com gosto pela cultura, este festival faz todo o sentido"