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Estado português é dos piores a pagar entre 22 países europeus

Isabel Forte textos

Num país de devedores, é o Estado que começa a dar o mau exemplo foi considerado o pior da Europa quando toca a pagar as suas obrigações. Segundo um estudo apresentado, ontem, em Bruxelas, pela Intrum Justitia, grupo líder no sector da área de cobranças na Europa, o Estado português demora, em média, 150,8 dias a regularizar os pagamentos. Na Estónia, como comparação, as entidades públicas pagam ao cabo de 19,6 dias.

A situação é de tal forma preocupante, afirma Luís Salvaterra, director da Intrum Justitia Portugal, que os atrasos do Estado acabam por funcionar como bola de neve. Resultado, o Estado deve às câmaras, aos tribunais, às empresas, aos contribuintes. As câmaras devem às juntas, à electricidade, à água, às construtoras. As construtoras aos fornecedores e aos trabalhadores. Os trabalhadores a quase tudo e ainda aos bancos.

O estudo, que compara o risco de pagamento em 22 países europeus, está assente em centenas de questionários realizados a empresas europeias no mês de Fevereiro. As principais conclusões demonstram que, após uma redução da actividade em 2005, o risco de pagamento aumentou de novo em toda a Europa, mantendo-se, pela terceira vez consecutiva, o risco de pagamento em Portugal "nos níveis mais elevados de todos os países analisados". Neste momento, observa-se, "as empresas portuguesas enfrentam riscos financeiros, devido aos cerca de sete mil milhões de euros de créditos vencidos".

Feitas as contas, mostra o trabalho, se em 2005 a média do risco de pagamento no mercado interno português era de 183 dias, este ano, está situada nos 184 dias. Da mesma forma, o sector exportador português está a ser atingido pelo aumento dos riscos de pagamento em quase toda a Europa, designadamente em três dos seus principais mercados de exportação Alemanha, França e Reino Unido. "Na Alemanha e no Reino Unido, os particulares apresentam uma tendência negativa do risco de pagamento, enquanto nas transacções entre empresas se revela uma ligeira evolução positiva".

Só a Finlândia (média de 125 dias de atraso), a Suécia (129) e a Noruega (131) apresentam risco de pagamento mais baixo.

Também o período médio de pagamento (prazo contratual) continua a aumentar na Europa. Em Portugal, a média da expectativa de recebimento para as empresas é, agora, de 85,8 dias.

Desde o primeiro estudo feito pela Intrum Justitia, em 1997, que o atraso e o período de pagamento tem aumentado, "como consequência da falta de financiamento". E as previsões, estima-se, não serão as melhores para os anos vindouros. "Não existem índices sustentáveis que permitam observar um abrandamento, mas, pelo contrário, índices diferentes que podem agravar esta tendência". Um deles, diz-se, "é o facto das empresas estudadas afirmarem que a razão mais importante para pagarem tarde é os seus próprios clientes pagarem tarde". Porém, afiança-se, "as empresas não começam a pagar automaticamente aos seus fornecedores, mesmo que tenham recebido os pagamentos em devido tempo apenas 12,5% dos recursos adicionais de tesouraria seriam utilizados para pagar prontamente".

Um ciclo vicioso que será ainda reforçado "pelas consequências do novo regulamento relativo à adequação do capital, que conduz à passagem dos riscos negativos dos bancos para outros financiadores, em particular para os fornecedores".

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