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Rastreio do cancro pioneiro na Europa atrai japoneses

Ana Trocado Marques

ntre Junho de 2005 e final de Abril deste ano, 1756 pessoas efectuaram o rastreio do cancro do estômago a decorrer nos concelhos da Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Trofa e Santo Tirso. Destes 1756, 112 apresentaram resultados positivos e 51 já fizeram a endoscopia, tendo sido detectado um caso de cancro. O método, pioneiro na Europa, está a ser implementado em Portugal por Lomba Viana, do serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde (CHPV/VC), e já atraiu as atenções da comunidade científica japonesa, um dos países com maior incidência da doença. Os primeiros resultados do estudo foram apresentados há dias por Lomba Viana. O responsável pelo programa de rastreio queixa-se da falta de apoios do Estado - que por duas vezes já negou, através da Administração Regional de Saúde do Norte, apoio ao projecto -, quando o cancro do estômago é o mais mortal tipo de cancro em Portugal.

1500 casos em três anos

"É uma resistência a uma situação que põe Portugal na frente da Europa", frisou. "É um teste sem efeitos secundários, que não precisa de uma tecnologia avançada e que, por ser barato, pode ser feito em qualquer pessoa", explicou o médico, comparando a análise ao pepsinogénio com o raio-X ou a endoscopia, que ainda continua a ser a prática de rastreio no Japão apoiada pelo Governo com custos muito mais elevados.

"Somos o primeiro país da Europa a utilizar este tipo de rastreio e estamos a iniciar um trabalho com cabeça, tronco e membros", afirmou Lomba Viana.

O processo, que está a ser custeado pelos clubes rotários dos quatro concelhos e apoiado pelo CHPV/VC e pelo Hospital Conde de S. Bento (Santo Tirso), consiste numa análise à presença de pepsinogénio no sangue. Em três anos, deverão efectuar o teste cerca de 1500 pessoas em cada um dos quatro concelhos.

Caso o teste apresente resultados anormais da pepsina - a enzima presente no suco gástrico - a pessoa terá maior risco de vir a desenvolver a doença, pelo que deverá efectuar uma endoscopia, que detectará ou não a presença da doença. "Em 99,9% dos casos, as pessoas que apresentem análise ao pepsinogénio negativa não têm cancro gástrico" afirmou o director clínico do CHPV/VC, Gil da Costa. "O exame sinaliza as pessoas que têm maior risco de ter ou poder vir a ter a doença", explicou ainda.

Santo Tirso lidera lista

Dos 1586 casos analisados concelho a concelho, até ao início de Abril, Santo Tirso apresenta o maior número de rastreios efectuados (605), seguido da Póvoa (384), Vila do Conde (326)e, finalmente, a Trofa, com 271.

Para Lomba Viana, este rastreio poderá vir a revelar-se bastante útil na detecção precoce da doença, já que em 80% dos casos o cancro do estômago, com sintomas iniciais vagos, é detectado em estados muito avançados, dificultando o combate da doença e aumentando os casos de morte.

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