s aulas de apoio são uma ajuda preciosa em vésperas de testes e exames. Mais precioso e raro ainda é poder combinar o dia e a hora directamente com o professor via telemóvel. É isso que fazem os alunos da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro, onde os contactos dos professores são tudo menos confidenciais.
"Todos os meus alunos têm o meu número de telemóvel e utilizam-no sempre que precisam", garante Ana Paula Machado, professora de Física-Química. As chamadas servem para tirar dúvidas que surgem, por exemplo, "quando os alunos estão a estudar em grupo e não se entendem. Ou quando estão sozinhos em casa", adianta a docente. Os contactos, explica, não são fornecidos na aula de apresentação porque os professores ainda não conhecem os jovens. "São dados mais tarde, de forma natural", refere.
A leccionar há 10 anos, assegura que a postura de proximidade com os alunos adoptada pela escola nunca lhe trouxe problemas. "Felizmente os alunos são bem formados e não abusam desta confiança que lhes damos. Nunca me ligaram para me ofender, nem tenho conhecimento que o tenham feito a outros colegas". Mas recorda, entre risos, uma situação curiosa de um aluno que todos os dias ligava às 8 da manhã. "Perguntava qual o livro que deveria levar para a escola", conta.
"Antes de gostar da matéria de uma disciplina, o aluno tem de gostar do professor. Daí fomentarmos esta relação pessoal", acrescenta Palmira Ferreira, professora de Matemática.
Os alunos são os mais beneficiados. "Sempre gostei imenso de estudar, mas dá-me muito mais ânimo se tiver alguém que se preocupa com a minha aprendizagem", referiu Ana Pacheco, do 10º ano, que, graças a esta política de proximidade, confessa ter passado a ver os professores "muito mais como amigos e até camaradas". "Tenho o número de todos eles", diz.
Sónia Gonçalves, do 12º ano, confessa já ter recorrido ao telemóvel para esclarecer uma dúvida. "Era sobre protecção catódica dos metais. Liguei à professora de química, que sempre se mostrou disponível, e ela ajudou-me de imediato", recorda.
Também sem razões de queixa, lembra uma mensagem escrita que um aluno mais atrevido lhe enviou. "Estava aflito e não conseguia esperar pelo dia seguinte para saber a nota do teste. Satisfiz-lhe a curiosidade, também por SMS, mas avisei que não o faria aos outros colegas. Foi uma excepção", conta
Aulas de dúvidas gratuitas
Além de despenderem parte do tempo livre "agarrados" ao telemóvel para esclarecerem dúvidas, os professores dão aulas extraordinárias sempre que os alunos manifestam necessidade e não são pagos por isso.
A comunicação fora da escola estende-se ao correio electrónico e aos "chats" da Internet, bastante utilizados como meio de troca de informações.
Com 800 alunos e 120 docentes, cerca de 40 % dos cursos da secundária Pinheiro e Rosa são da via profissionalizante. Há dois anos a escola foi classificada entre as 100 melhores do país tendo em conta os resultados nos exames do 12º ano.