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José Leite Pereira

Director Adjunto
Alfredo Leite

Subdirector
Paulo Ferreira
 

Quem chumba os pais?

Fio, de terra, David, Pontes, Director adjunto

"- E este professor de Geografia que costuma vir sempre mal vestido para as aulas, fuma nos intervalos e deu dois testes surpresa e se atrasou na matéria... que nota leva?

- Um 2, um 2! - gritaram em uníssono os pais reunidos à volta da uma mesa cheia de pautas.

Esta é a caricatura que fica da avaliação dos docentes pelos pais dos alunos, porque o ministério não pôde, ou não quis, especificar de que forma eles poderiam entrar nesse exame. Pena porque com ela acabou por se esquecer o essencial, a necessidade de critérios mais rigorosos para recompensar, fazendo evoluir na carreira, os melhores e mais empenhados professores, distinguindo-os dos medíocres que, em muitos casos, só dão aulas porque não encontraram nada melhor para fazer.

Mas deveriam os pais participar na avaliação dos professores? É evidente que sim. Na Dinamarca, na Finlândia, na Noruega, mas em Portugal dificilmente. Quando se sabe que os pais que procuram os directores de turma durante um ano são excepções e não regra; quando se ouve um presidente de uma associação de pais dizer que na escola onde anda o filho dele, com 1800 alunos, a associação só tem 30 associados, 15 deles fazendo parte dos corpos directivos; quando sabemos que muitos pais só se importam com o percurso lectivo dos seus filhos quando eles ameaçam chumbar, é caso para dizer que mais do que esperar que os pais avaliem os professores, é preciso saber, primeiro, quem dá notas a estes pais.

Os professores têm muitas culpas, os sucessivos ministérios da Educação têm muitas mais, mas é irritantemente autista não perceber que a culpa do falhanço educativo nacional é colectiva, a começar nos pais e acabar nos alunos. Por isso, vamos lá com calma com essa coisa de dar notas. O retrato do país real não é esse dos pais "elementos participantes da comunidade escolar". O retrato mais próximo foi-me dado por um professor, dos que deviam levar boa nota pelo empenho por fazer o melhor numa escola degradada que não tem polivalente, nem polidesportivo. Procurado um dia por um dos raros pais que se preocuparam em ir à escola saber a razão dos maus resultados do seu filho, ele tentou convencer o encarregado de educação que talvez as coisas melhorassem se fosse mais exigente com ele em casa, convencendo-o a estudar. Resposta "Sabe, apanho a camioneta para a fábrica, na Maia, às 6 da manhã, chego a casa às 8, 9 horas. Não tenho força para me chatear com ele".

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